OAB contesta, no STF, ação da PGR que ataca prerrogativas da advocacia

O Conselho Federal da OAB pediu, nesta terça-feira (31/10), o ingresso como amicus curiae em ação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que ataca frontalmente o direito à inviolabilidade profissional da advocacia e cerceia o direito de defesa, ambos pressupostos constitucionais. O pedido foi encaminhado ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso na Corte. 

O CFOAB recebeu com indignação a ação direta de inconstitucionalidade (ADI 7468) ajuizada pela procuradora-geral da República em exercício, com intuito de impedir a advocacia de acompanhar a análise de documentos e equipamentos apreendidos ou interceptados no curso de investigação criminal. A ação se opõe ao art. 7º, inciso II e §§ 6º-F, 6º-G e 6º-H, do Estatuto da Advocacia. 

“Ao analisar os limites e contornos da persecução penal promovida pelo Estado, não há como se esquivar de inserir no debate o devido processo legal e os direitos que dele derivam. Em primeiro lugar, é disso que tratam as disposições impugnadas, de resguardar o investigado e impor limites à atuação estatal, que, no exercício do monopólio do poder punitivo, possui inúmeras ferramentas que o colocam em posição muito superior à de qualquer investigado”, afirma o CFOAB. 

Na petição, a entidade realça que o Estatuto da Advocacia, ao conferir ao advogado investigado o direito de acompanhar a análise de documentos e de dispositivos de armazenamento de informação apenas deu concretude ao direito de defesa e ao modelo processual penal democrático e acusatório que preconiza um sistema mínimo de proteção contra abusos. 

A OAB defende que o acompanhamento apenas confere maior credibilidade e transparência à atuação do Estado, garantindo equilíbrio e cooperação dos atores envolvidos na apuração. A petição é assinada pelo presidente Beto Simonetti, o presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, e a equipe do colegiado.

A garantia de acesso à análise de documentos e equipamentos apreendidos foi incluída no Estatuto da Advocacia pelo Congresso Nacional, por meio da Lei 14.365/2022. Ela se fez necessária exatamente diante da proliferação indiscriminada de operações perpetradas pelo Ministério Público, sem qualquer embasamento, com intuito de constranger advogados e advogadas e colher informações sobre clientes e empresas que sequer faziam parte da investigação criminal em curso.

“A garantia profissional, ora atacada, é um aperfeiçoamento necessário à paridade de forças no devido processo legal. Por isso, é lamentável e injustificável a tentativa de retomar o modelo investigatório lava-jatista, punitivista, conduzido à revelia de princípios básicos do Estado de direito e dos órgãos de controle, que tantos males trouxe ao país”, ressalta a OAB no pedido.

A norma impugnada garante ao advogado investigado apenas o direito de acompanhar o ato, não lhe conferindo expressamente direito de intervenção a ponto de caracterizar um obstáculo à persecução penal. A PGR, inclusive, como ressalta a petição da OAB, não demonstra concretamente quais os riscos e obstáculos que o acompanhamento pelo advogado poderiam representar. 

O texto atacado pela PGR tem como objetivo preservar os dados e informações concernentes aos clientes que não tem relação alguma com os fatos investigados. “Nesse sentido, não se pode admitir que todo o acervo documental, seja físico ou eletrônico, que contém inúmeros dados, em especial as comunicações entre advogados (profissão do investigado) e clientes, assim como as teses e estratégias de defesa destes – todos terceiros não investigados – sejam indevidamente entregues e apreciados pelo órgão acusador, sem que ao menos seja facultado ao profissional investigado o direito de acompanhar essas diligências”, esclarece o CFOAB.

Leia mais:

OAB defende direito de defesa e atua contra ação da PGR


Conferência Nacional da Advocacia debate defesa de minorias

A 24ª Conferência Nacional da Advocacia, em Belo Horizonte (MG), vai debater, em um painel específico, a defesa das minorias. O Painel acontecerá das 9h às 12h30, em 29 de novembro.

Rebeca Sodré, conselheira federal pela Paraíba e presidente da Comissão Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, é a presidente do debate. Já o relator será o conselheiro federal Piauí Carlos Augusto de Oliveira Medeiros Júnior. O secretário será o também conselheiro federal pelo Piauí Antônio Augusto Pires Brandão.

A implementação da escuta especializada e depoimento especial de crianças e adolescentes vítimas de violência, com antecipação de produção de prova é o primeiro tema abordado no painel. Falará sobre ele a integrante da Comissão de Direito da Criança, Adolescência e Juventude da seccional da OAB Sergipe e doutoranda em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) Antonina Gallotti.

Diretora Executiva do Instituto Alana, Isabella Henriques vai tratar da proteção da criança no ambiente digital. Já a defesa dos direitos da pessoa idosa vai ser matéria de palestra da conselheira federal pelo Maranhão e presidente da Comissão Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Cacilda Pereira Martins.

O Painel 35 também vai abordar os direitos das pessoas autistas; saúde, educação e inclusão em face da convenção internacional. Emerson Maia Damasceno, presidente da Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Pessoa com Autismo, é o conferencista responsável.

A importância da decisão da Ação Declaratória de Omissão (ADO) 26/Mandado de Injunção (MI) 4.733 e os impactos da Lei 14.532/2023 na proteção de minorias sexuais e de gênero serão objeto da discussão da presidente da Comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero, Amanda Souto Baliza. A ação e o mandado tramitaram no Supremo Tribunal Federal (STF) e, por meio deles, a Corte enquadrou homofobia e transfobia como crimes de racismo ao reconhecer omissão legislativa. Já a referida normativa tipifica como crime de racismo a injúria racial, com a pena aumentada de um a três anos para de dois a cinco anos de reclusão, na proteção de minorias sexuais e de gênero.

Dalton Santos Morais, procurador federal da Advocacia-Geral da União (AGU) e professor da FAESA, vai discorrer sobre “A vida como ela é para as pessoas trans”. O painel conta, ainda, com um subtema, encabeçado pela conselheira federal por Pernambuco Adriana Caribé.

Sobre o evento

Com o tema “Constituição, Democracia e Liberdades”, a Conferência será realizada entre 27 e 29 de novembro, no Expominas, e contará com 50 painéis com temas variados do universo jurídico, em especial, questões atuais do país. Ela terá como patronos Alberto Simonetti Cabral Filho e Jair Leonardo Lopes.

O Conselho Federal da OAB estima receber cerca de 400 palestrantes e 20 mil participantes, entre advogados, estudantes, estagiários, profissionais do Direito e representantes dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, que contarão com uma praça de alimentação e uma área de exposições.

Entre as questões que serão abordadas nos demais painéis, estão “Mídias Sociais e Liberdade de Expressão”, “Exame de Ordem e Ensino Jurídico”, “Honorários Advocatícios”, entre outros. Informações e inscrições pelo site.


Beto Simonetti incentiva campanha de doação de sangue realizada na sede da OAB Nacional

O presidente do Conselho Federal da OAB (CFOAB) Beto Simonetti compareceu, nesta terça-feira (31/11), ao 2º andar da sede do CFOAB, em que uma campanha de doação de sangue estava sendo realizada. No local, apoiou servidores e colaboradores que participavam da iniciativa.

“Estou aqui para dar força e estimular a campanha. Doar sangue é um ato de amor”, disse Beto enquanto cumprimentava os presentes.

A secretária-geral da OAB Nacional, Sayury Otoni, também incentivou a campanha de doação de sangue enquanto se dirigia aos participantes.