Painel da IV Conferência de Direito Ambiental debate a infraestrutura na ótica constitucional

Vitória (ES) – O painel 2 da IV Conferência Internacional de
Direito Ambiental da OAB, realizado na manhã desta quinta-feira (7), abordou
aspectos da infraestrutura do setor. A mesa foi presidida por Samir Murad,
presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB-MA; teve como relator Marcos
Delfino, membro da Comissão da OAB-ES; e foi secretariada por Gabriel Totola
Fontana, que também integra a Comissão capixaba.

A primeira expositora foi Flávia da Costa Limmer, professora
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), que falou sobre
gás de fontes não convencionais. 
“Sustentabilidade é um caminho longo. Precisamos de recursos para
atingi-la, sem negar que petróleo e gás são essenciais à economia do Brasil. A
grande greve recente mostra isso, a nossa dependência desses produtos. O
Ministério de Minas e Energia coloca que temos uma matriz de energia limpa, o
que é uma verdade parcial. Sim, o Brasil é um dos países com mais energia
hidráulica no mundo. Entretanto, 39% da nossa base energética está em petróleo
e gás dele derivado. Somos o 15º colocado em reservas deste recurso no mundo”,
apontou.

A professora abordou bastante a temática do shale gas (gás
não convencional ou de folhelho). Segundo dados da International Energy Agency
(IEA), o Brasil tem 244,9 trilhões de pés cúbicos do recurso, dentro de um
contexto global de 7.576,6 trilhões de pés cúbicos, com 418,9 bilhões de barris
a serem explorados no mundo. Flávia falou ainda sobre as vantagens do uso da
metodologia do faturamento hidráulico na extração do shale gas – como uma
provável autossuficiência brasileira – e de desvantagens como o aumento crítico
da probabilidade de abalos sísmicos.

Enquanto perspectivas no Brasil, citou o Programa Gás para
Crescer (elencado no PL 6403/13) e o Programa Reate (Revitalização da Atividade
de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres), de
2017.

Insegurança jurídica

A desembargadora federal da 3ª região, Consuelo Yoshida,
falou a respeito dos conflitos e fez uma reflexão sobre incertezas e
inseguranças jurídicas que permeiam a área ambiental. “Não adianta lei
complementar 140 ou nova lei de licenciamento que não vão evitar a judicialização
do tema e os conflitos. A origem disso está lá na base e tem muito a ver com
semiótica, o uso de expressões que chamamos de conceitos jurídicos ou conceitos
legais indeterminados, e por outro lado a necessidade de preenchimento de
critérios técnicos”, disse ela em referência à lei que fixa normas para a
cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas
ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à
proteção do meio ambiente.

Ela chamou a atenção para uma responsabilidade compartilhada
no sentido de construir condições para diminuir os conflitos. “Temos uma
grande responsabilidade, Legislativo, Executivo e Judiciário, e funções as
essenciais da Justiça, como a advocacia, o Ministério Público e a Defensoria
Pública, para tentar reduzir esses conflitos que chegam no Judiciário e, às
vezes, de forma desnecessária. Até porque o Judiciário não é o foro adequando
para discutir muitas dessas demandas”, declarou ela, destacando que o
debate em fórum equivocado leva a flexibilização já de uma lei geral, a exemplo
do que aconteceu, segundo ela, com o Código Florestal.

Consuelo defendeu como objetivo no debate um meio termo,
entre o que chamou de “ótimo ambiental”, meta de ambientalistas e de
acordo com ela, defendida tradicionalmente pelo Ministério Público, e aquilo
que vai na direção diametralmente oposta, da linha desenvolvimentista. “O
certo é o caminho do meio e isso definiremos caso a caso e com estudos técnicos
que não sejam parciais. Se forem parciais, seja do Ministério Público, seja dos
advogados que representam o empreendedor, o juiz fica vendido”, disse.

Equilíbrio no direito ambiental

Celso Fiorillo, presidente da Comissão do Meio Ambiente da
OAB de São Paulo, abordou a questão do direito ambiental em um contexto de
economia capitalista e como ele é interpretado no Judiciário. “A
Constituição de 1988 diz há 30 anos que os bens ambientais existem para ser
usados em proveito da população. Em um contexto de economia capitalista, este
uso tem enfrentamento natural entre os empresários, que querem sempre ter
lucro, e a população, que muitas vezes não está volta apenas ao lucro. Assim
nasce o direito ambiental”, afirmou.

“O direito ambiental, ao longo de 30 anos, sofreu dois
problemas. O primeiro era a ideia de ser um direito público e administrativo,
do Estado, o que é uma farsa. O direito ambiental evoluiu porque mostrou que
representa os bens públicos da pessoa humana. Por ter essa importância, assumiu
um grande grau de politização e foi, digamos assim, sequestrados por uma visão
ideológica. É como se houvesse um direito ambiental do bem e um do mal. Além de
patético, isso é inconstitucional”, disse.

Para Fiorillo, graças à advocacia existe o direito ambiental
brasileiro. Segundo ele, os temas nascem do sistema constitucional, sofrem
embates diante do uso dos empresários, que são movimentados por ações que o
Ministério Público propõem. “Exatamente pelas circunstâncias de o direito
ambiental ser preponderantemente constitucional, o Supremo Tribunal Federal tem
sido o grande intérprete da área, acima das outras cortes. Ele fixa as visões,
como, por exemplo, que direito ambiental não é apenas flora e fauna, aborda
questões como saúde e cidades”, explica.

Segundo o advogado, outra questão fixada pelo STF é que,
ainda que haja uma ordem econômica para capitalistas, é também um capitalismo
civilizado. “Não é porque você é um empreendedor que pode fazer o que
quiser. Mas a recíproca também é verdadeira: não tem que ser colocado na cadeia
só por ser empreendedor. É um direito equilibrado, que enfrenta os percalços e
vai firme e seguro por mais 30 anos de Constituição”, diz.

“Como tudo na vida, é bom que haja o equilíbrio.
Passamos por fase muito tumultuada, fruto de uma sociedade em que todo mundo dá
palpite sobre tudo. Caetano Veloso dando opinião sobre direito ambiental, as
coisas mais desbaratadas. No campo jurídico, o que vale é o que a lei aponta. E
lei aponta um sistema de equilíbrio”, finalizou.

Confira as fotos na Galeria de Imagens

Universidade de Salamanca tem inscrições abertas para pós-doutorado em Direitos Humanos

Brasília – Estão abertas as inscrições para o pós-doutorado em Direitos Humanos, promovido pelo Centro Brasileiro de Estudos da Universidade de Salamanca. As vagas são limitadas, portanto não há data de encerramento do prazo aos interessados.

O programa de pós-doutorado, de natureza mista, terá duração anual e carga horária total estimada de 120 horas. 

Ele pressupõe uma atividade presencial de 40 horas, na modalidade de seminário intensivo compulsório, com o qual o programa é aberto, e será desenvolvido entre os dias 2 e 13 de julho de 2018, no Centro Brasileiro de Estudos da Universidade de Salamanca. 

Para a participação deve ser realizada uma atividade de pesquisa tutelada, com duração total de 80 horas. A atividade de pesquisa será concluída com um trabalho de pesquisa individual de 20 páginas, que após ser aprovado pelo tutor designado para o aluno, deverá ser submetido a um tribunal de 3 membros indicado para esse fim.

Uma vez aprovado neste teste, os trabalhos serão publicados em um livro coletivo liderado pelos dois diretores do pós-doutorado e o orientador do curso e o certificado de conclusão do curso de pós-doutorado será emitido pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca.

O curso de pós-doutorado será ministrado em espanhol e português.

Para mais informações:

Telefone: (00-34) 923 29 48 25

Email: est@usal.es

Confira a íntegra da programação presencial:

Segunda-feira, 2 de julho de 2018: AS “GERAÇÕES” DOS DIREITOS HUMANOS E A TEORIA E O DISCURSO DOS “DIREITOS DA SEGUNDA GERAÇÃO”

PROFª DRª Mª ESTHER MARTÍNEZ QUINTEIRO, professora da Faculdade de Direito da UPT, JUB. USAL.

PROGRAMA: As “gerações” dos direitos humanos – A ONU e os direitos de segunda geração, da DUDH ao PIDESC – Direitos sociais no marco do discurso da “segurança humana” – A justiciabilidade dos direitos sociais.

Terça-feira, 3 de julho de 2018: DIREITO PENAL E DIREITOS DE SEGUNDA GERAÇÃO.

PROF. DR. IGNACIO BERDUGO GÓMEZ DE LA TORRE, Professor de Direito Penal do USAL, ex-reitor da USAL, diretor do CEB / USAL.

PROGRAMA: Sobre Direitos Humanos e Direito Penal – Direitos Humanos como objeto de proteção. Reflexões sobre o direito legal com especial referência aos Direitos Humanos da Segunda Geração – Direitos Humanos como limite. As garantias do Direito Penal no crime e castigo – A internacionalização dos Direitos Humanos e suas conseqüências no Direito Penal. Os Tribunais Internacionais.- Corrupção e outros problemas.

Quarta-feira, 4 de julho de 2018: OS DIREITOS SOCIAIS DOS IMIGRANTES. ABORDAGEM DOS DIREITOS HUMANOS E PERSPECTIVA DE GÊNERO

PROF. DR. PEDRO GARRIDO RODRÍGUEZ, membro do Seminário Internacional sobre a História Contemporânea dos Direitos Humanos SIHCDH / USAL

PROFª DRª Mª PAZ PANDO BALLESTEROS, Diretora do Seminário Internacional sobre a História Contemporânea dos Direitos Humanos SIHCDH / USAL

PROGRAMA: 1) A gestão da migração atual 2) Políticas sociais sobre imigração e diversidade cultural 3) O quadro internacional 4) O quadro europeu 5) A perspectiva de gênero.

Quinta-feira, 5 de julho de 2018: O DIREITO À EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS

PROF. Drª ALICIA MUÑOZ RAMIREZ, membro do Seminário Internacional sobre a História Contemporânea dos Direitos Humanos SIHCDH / USAL

PROGRAMA: 1. Introdução. 2. Demandas e recomendações para uma educação em direitos humanos. 2. 1. Organização das Nações Unidas: Programa Mundial para Educação em Direitos Humanos, 2005-2019. 2. 2. Conselho da Europa: Carta do Conselho da Europa sobre Educação para a Cidadania Democrática e a Educação para os Direitos Humanos, 2010. 3. A situação da educação em direitos humanos na América Latina. 4. Abordagem ao caso espanhol: Educação para a Cidadania e os Direitos Humanos. 5. Problemas e desafios atuais.

Sexta-feira, 6 de julho de 2018: A CONFIGURAÇÃO NORMATIVA DO DIREITO À EDUCAÇÃO E AO DIREITO À SAÚDE.

PROF. DR. JAVIER GARCÍA MEDINA, diretor do Observatório de Direitos Humanos da Universidade de Valladolid

PROGRAMA: 1) Caracterização geral. 2) Normas normativas internacionais3) Indicadores4) Abordagem baseada em direitos humanos

Segunda-feira, 9 de julho de 2018: DIREITO AO TRABALHO E DIREITOS HUMANOS

PROF. DR. AUGUSTO CESAR LEITE DE CARVALHO, Ministro do Tribunal Superior do Trabalho do Brasil.

PROGRAMA: Do Estado liberal ao Estado Social. Do Estado Social ao Estado Democrático de Direito. Direito ao trabalho: dimensões coletivas e individuais. Tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos e normas constitucionais – alcance normativo e princípio da progressividade. Conteúdo dos direitos sociais, no Brasil, antes e depois das reformas trabalhistas (Programa in english: Do liberal State ao Social State Do Social State ou Democratic State of Directors) Dimensões da igualdade Tratados e convenções internacionais de direitos humanos e normas Constitucionalis – grau hierárquico, princípio da progressividade, contendo dois direitos sociais, não o Brasil, antes do trabalho.

Terça-feira, 10 de julho de 2018 REFORMA DO TRABALHO NO BRASIL. ABORDAGEM DE DIREITOS HUMANOS

PROF. DR. AUGUSTO CESAR LEITE DE CARVALHO, Ministro do Tribunal Superior do Trabalho do Brasil.

PROGRAMA: Direitos humanos – dimensões da liberdade, igualdade e sustentabilidade. Direitos humanos positivos. Novos contratos típicos no Brasil. Novas formas de trabalho após a reforma trabalhista. Reforma trabalhista à luz de tratados e tratados de direitos humanos (Programa in english: Direitos Humanos – Dimensões da liberdade, igualização da sustentabilidade.) Direitos humanos positivos Novos contratos típicos não Brasil Novas formas de trabalho para a reforma trabalhista. Reforma trabalhista vista das convenções e tratados de direitos humanos).

Quarta-feira 11 de 2018. DIREITO HUMANO À SEGURANÇA SOCIAL

PROF. DR. ENRIQUE CABERO MORÁN, titular do Direito do Trabalho e Previdência Social; Vice-Chanceler de Promoção e Coordenação USAL.

PROGRAMA PROVISÓRIO: 1) Da Assistência à Previdência Social 2) Instrumentos Internacionais promovidos pela ONU sobre questões de Previdência Social. 3) Previdência Social nas Convenções da OIT 4) A proteção da Previdência Social oferecida pela Convenção Européia de Direitos Humanos e o Sistema Interamericano 5) Exemplos de medidas de fiscalização dos Estados no campo da Previdência Social.

Quinta-feira 12 de julho: O DIREITO HUMANO À LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO

PROF. DR. D. RAFAEL SASTRE IBARRECHE, Advogada Trabalhista e Previdenciária / USAL

PROGRAMA: Conceito e função da liberdade de associação. Campo subjetivo (propriedade) – O conteúdo da liberdade de associação: planos individuais e coletivos; conteúdo essencial e conteúdo adicional – A mais alta representação sindical: a) Seu significado em um regime de pluralidade sindical; b) Critérios de seleção e questões constitucionais; c) Os diferentes níveis de representatividade e as prerrogativas legais dos sindicatos mais representativos – Proteção do direito à liberdade de associação: comportamento antissindical e os diversos mecanismos de proteção do direito

Sexta-feira, 13 de julho de 2018 CONFIGURAÇÃO DOS SERVIÇOS SOCIAIS COMO SERVIÇOS PÚBLICOS

PRFª. DRª. LUCYLEA GONÇALVES FRANÇA, Chefe do Departamento Jurídico da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Brasil.

PROGRAMA: 1) Significância e consequências legais da consideração dos direitos sociais como serviço público. A noção de serviços públicos baseada na concepção do Estado de Direito. “2 Formação histórica dos serviços públicos, efetividade dos direitos e aplicabilidade dos direitos sociais, econômicos e culturais e Direito Administrativo global 3) Políticas públicas e construção dos direitos sociais no século XXI: dos serviços públicos aos serviços de interesse geral 4) Tribunais internacionais e serviços públicos 5) Conclusões: tribunais em perspectiva comparativa

Licenciamento ambiental é tema do painel inaugural da IV Conferência de Direito Ambiental

Vitória (ES) – Nesta quinta-feira (7), o painel inaugural da IV Conferência Internacional de Direito Ambiental da OAB tratou sobre o licenciamento ambiental – elencado no artigo 225, parágrafo 1º, inciso IV da Constituição Federal. A mesa foi presidida pela conselheira federal Flávia Brandão Maia Perez (ES), teve a relatoria de Victor Athayde, que integra a Comissão de Meio Ambiente da OAB-ES; e contou com a advogada Juliana Ribeiro de Oliveira como secretária dos trabalhos.

A presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Suely Mara Vaz Guimarães de Araújo, fez um histórico detalhado do instrumento de licenciamento ambiental desde antes da Constituição Federal, de 1988. Ela defendeu que o Brasil tenha uma lei específica para licenciamento ambiental.

“Temos de entender o licenciamento ambiental não como uma barreira burocrática a ser vencida. Licença ambiental não é isso. Ela é uma ferramenta de planejamento para fazer empreendimentos ambiental e socialmente corretos. A licença não é um papel a ser emitido. Ela disciplina a concepção de toda a operação do empreendimento. É uma instância de planejamento. Se ela for encarada como uma barreira a ser vencida, esta lei que será construída será uma lei sem base e será um tiro no pé de quase todo mundo, inclusive dos próprios empreendedores”, disse Suely.

Ao falar sobre o licenciamento ambiental, ela discorreu sobre alguns problemas que são normalmente associados ao tema e analisou os aspectos por traz de cada um deles com um olhar institucional. Segundo ela, uma das queixas mais usuais diz respeito à demora. A presidente do Ibama afirmou que a entidade tem em curso atualmente 2500 processo de licenciamento ambiental. “A grande parte dos empreendimentos que têm atraso diz respeito a estudos que não foram complementados conforme a solicitação do órgão empreendedor. Então chega um estudo, você solicita a complementação e isso não chega”, disse ela.

“Outro problema é a ação dos órgãos intervenientes. O licenciamento acaba sendo um balcão de centralização para a ação dos diferentes órgãos. Então a Funai (Fundação Nacional do Índio) fala se está em área indígena, ou o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), se tem área acautelada como patrimônio cultural. Se está em unidade de conservação, o órgão gestor da área fala. Todos esses órgãos dão autorizações, só que a emissão final é do órgão licenciador, seja o Ibama, seja outro órgão. Aí problemas com a Funai travam o licenciamento. A ‘culpa’ passa a ser do Ibama”, exemplificou Suely.

A presidente do Ibama afirmou ser fundamental que esse quadro das demorar sejam entendidas de maneira ampla sob risco de distorção da realidade institucional. Ela chamou a atenção ainda para a carência de pessoal nos órgãos fiscalizadores nos estado e no próprio Ibama. “Tem um problema nesses atrasos de absoluta falta de recursos humanos para colocar esses licenciamentos em dia. É bom falar porque a lei sozinha não vai resolver tudo isso. A lei sozinha não coloca servidores no Ibama e nos órgãos estaduais. A lei sozinha não resolve o problema histórico. A lei é importante, mas não é a salvação para todos os ‘males’ do licenciamento ambiental. Isso tem de ficar muito claro”, afirmou ela.

Jurisprudências

Andreas Krell, professor da Universidade Federal de Alagoas, abordou a importância de uma lei clara e forte de licenciamento ambiental. Segundo o estudioso, o direito ambiental brasileiro, principalmente na área de licenciamento, sofrem de uma grande ausência de regulamentações específicas. “Temos uma delegação muito excessiva de questões importantes materiais a resoluções, decretos e portarias de Estados e municípios. Sou a favor da autonomia, mas uma Lei Geral de Licenciamento tem justamente a função de apresentar e introduzir conceitos e defini-los, passando a competência Estados e municípios posteriormente, para implementação segundo suas necessidades e peculiaridades”, afirmou.

Para Krell, se houvesse mais conceitos na lei federal, a normativa jurídica da área seria fortalecida. “Hoje, as decisões sobre licenciamento são imprevisíveis. Não temos uma jurisprudência no direito ambiental, com aproveitamento de precedentes em diferentes Estados, por exemplo”, expôs. “Quem atua na área e leu petições e decisões percebe que o nível de argumentação é fraco e confuso, mais do que em direito civil ou penal, áreas mais tradicionais. O direito ambiental é imprevisível”, criticou.

Para o pesquisador, sem o fortalecimento de normática, por meio de pesquisas sérias em universidades, isso será muito difícil. “Todos reclamam da confusão interpretativa do direito no Brasil”, disse. “Nossas leis ambientais federais têm, por exemplo, proibições claras, normas procedimentais e normas de competência, mas não há referências de introdução de conceitos que poderiam desencadear discussões cientificas de outras áreas, que seriam absorvidas pelo direito.” Krell também questionou a legitimidade democrática de o CONAMA substituir o Congresso Nacional na elaboração de leis para a área.

‘Tutela ecológica é responsabilidade de todos’, diz Lamachia na IV Conferência de Direito Ambiental

Vitória (ES) – O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, destacou em seu discurso na abertura da IV Conferência Internacional de Direito Ambiental o caráter simbólico de realizar o ato no estado do Espírito Santo. A capital capixaba sedia esta edição da conferência. De acordo com ele, o estado, há pouco mais de dois anos e meio, sofreu as consequências dessa que foi a maior tragédia ambiental em toda a história do País: o incidente de rompimento da barragem de Fundão, próximo a Mariana, Minas Gerais.

“Em face do rompimento da barragem em Mariana, a OAB demonstrou firme atuação. Dessa forma, imediatamente após o episódio, foi instalada a Comissão Especial sobre o Desastre Ambiental de Mariana, para analisar o caso e tomar as medidas cabíveis, como a prestação de apoio jurídico às vítimas. Nesse sentido, a realização da IV Conferência Internacional de Direito Ambiental no Espírito Santo está envolta de enorme simbolismo”, afirmou Lamachia.

Durante seu discurso na abertura da conferência, Lamachia destacou a atuação histórica da Ordem na pauta ambiental. “A OAB Nacional, por intermédio de sua Comissão de Direito Ambiental, tem participado das principais discussões na matéria. Assim, por exemplo, integrou o Fórum Global da histórica Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO-92. Vinte anos mais tarde, a Ordem foi uma das mais destacadas representantes da sociedade civil na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a RIO+20”, lembrou ele.

Lamachia disse ainda que embora a Constituição Federal de 1988 tenha sido uma conquista em favor da tutela ambiental no País, a positivação de direitos não significa o usufruto automático desses pelos cidadãos. “É condição necessária, mas não suficiente para a efetivação de tais preceitos. Assim, a ação normativa há de ser complementada pela ação prática. Em consequência, emerge a necessidade de conferir eficácia a esse direito fundamental”, afirmou ele.

“A tutela ecológica é responsabilidade de todos indistintamente – tanto dos governantes quanto dos demais cidadãos. Trata-se, inclusive, de ‘encargo irrenunciável’, de acordo com entendimento firmado pelo STF”, destacou o presidente da OAB. “A salvaguarda do meio ambiente está incluída não apenas entre os ‘direitos fundamentais’, mas também entre os ‘deveres fundamentais’ reconhecidos à sociedade nacional pela Carta Política de 1988”, salientou Lamachia.

Nota de pesar

Em sua fala de abertura, Lamachia fez uma menção especial em razão do falecimento do Medalha Rui Barbosa Agesandro da Costa Pereira, presidente da OAB-Espírito Santo. “Em nome do Conselho Federal da OAB, transmito minhas condolências aos familiares e amigos. A nós, colegas de profissão do Doutor Agesandro da Costa Pereira, resta o dever de honrar sua memória, trabalhando incansavelmente pelo fortalecimento dos direitos humanos e da cidadania brasileira, inclusive a cidadania ambiental”, disse Lamachia.

Seccional

O presidente da OAB do Espírito Santo, Homero Mafra, saudou em seu discurso a importância de um evento como a conferência, notadamente por ser realizada em um dos Estados mais atingidos pela tragédia ambiental de Mariana. “Somos a terra da moqueca, das bandas de Congo, do Ticumbi, da torta capixaba, de belas montanhas e praias. Somos, também, a terra do pó preto, do Rio Doce que sangra por força da maior tragédia ambiental de nosso país, de florestas que se perderam, das lagoas poluídas”, afirmou, já na abertura de seu discurso.

Ao traçar um panorama da situação política atual do país, rechaçou os discursos que pedem a volta da ditadura militar, asseverando: “Temos, os aqui reunidos, o dever de dizer de dizer não ao intervencionismo e de apontar os males da ditadura também no campo ambiental. Na Amazônia, a herança é mais evidente nas esferas das estruturas do poder criado para “desenvolver” a região, nos impactos ambientais causados por grandes obras sem estudo prévio e na violação dos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais”. 

“Precisamos quebrar a corrente que nos aprisiona nessa falsa dicotomia segundo a qual os cuidados ambientais devem ficar relegados a segundo plano em países que precisam gerar emprego e renda. A preocupação com o desenvolvimento econômico deve ser o resultado da preocupação com o meio ambiente equilibrado e não há sentido em submeter os interesses da sociedade à voracidade do capital predatório”, afirmou. 

Ao abordar a tragédia de Mariana, cobrou responsabilizações e criticou duramente a falta de interesse dos governantes em buscar reparações. “Houve uma tragédia. Esqueçamos dela, parece ser o mote dos responsáveis. Da lama ao descaso é o título que melhor descreve a tragédia de Mariana e a postura adotada pelas autoridades públicas”, lamentou.

“Não posso, ao encerrar, deixar de manifestar minha crença que haveremos de romper os grilhões da submissão e do silêncio, trabalhando e participando da luta pela construção de um mundo mais justo e digno que tem por pressuposto um meio ambiente saudável e equilibrado”, afirmou.

Comissão

Marina Gadelha, presidente da Comissão Nacional de Direito Ambiental da OAB, lembrou que o direito ambiental no Brasil já aparecera na chamada Política Nacional de Meio Ambiente, elencada na Lei n. 6.938 de 1981, e no próprio Código Florestal, de 1965.

 Ela destacou algumas conquistas constitucionais. “A garantia a um meio ambiente equilibrado é uma [conquista], com obrigações ao poder público e à coletividade enquanto sociedade civil organizada. Defender e preservar são deveres independentes, que trazem a responsabilidade intergeracional, algo absolutamente louvável ao se preocupar com as gerações vindouras”, elencou.

Marina ressaltou a importância de a Constituição ter um capítulo inteiro dedicado à biodiversidade. Apontou como fundamental a educação ambiental, “reforçando sempre a diferenciação necessária entre educação e conscientização ambiental”.  Destacou, ainda, a inovação que o texto brasileiro implementa com a possibilidade da responsabilização penal de pessoas jurídicas por crime ambiental. 

“A Constituição também trata de alguns biomas enquanto patrimônios nacionais, mas cabe a ressalva de os constituintes terem deixado outros de fora do texto. Precisamos avançar bastante, mas não temos o tempo que outros ramos do direito tiveram. O direito ambiental precisa amadurecer de modo acelerado, como acontece na minha Paraíba quando se joga carbureto nas bananas ainda verdes para que maturem logo”, completou. 

Ela destacou que a pressão do desenvolvimento impõe pressa. “É um ramo jurídico que não tem sequer 50 anos, mas é cobrado diuturnamente pela enorme demanda de recursos naturais. O direito ambiental não pode ser o direito do ‘não pode’; tem que ser o direito do ‘como pode’. A gente precisa minerar, precisa utilizar os recursos naturais, mas da maneira correta. É necessário aprender muito rápido”, alertou.

Por fim, Marina fez um agradecimento especial ao presidente Lamachia. Eis aqui uma advogada, mulher, da caatinga, do interior da Paraíba. Provas maiores de que a sua gestão não conhece discriminação, barreiras geográficas ou de gênero. É assim que a advocacia tem que ser, que a OAB tem que ser, que o direito ambiental e também de modo geral tem que ser”, encerrou.

Mesa de honra

A mesa de honra da cerimônia de abertura da IV Conferência Internacional de Direito Ambiental contou com as seguintes presenças: Claudio Lamachia, presidente nacional da OAB; Antonio Oneildo Ferreira, diretor tesoureiro da OAB Nacional; Homero Mafra, presidente da OAB-ES; Paulo Renato Fonseca Junior, secretário de Turismo do Espírito Santo; Antonio de Sousa Prudente, desembargador do TRF-1; Consuelo Yoshida, desembargadora do TRF-3; Marcelo Lemos Vieira, promotor dirigente do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente; Efren José Ribeiro Santos, da Procuradoria-Geral do Estado do Espírito Santo.

Também compuseram a mesa: Marina Gadelha, presidente da Comissão Nacional de Direito Ambiental da OAB; Nara Borgo, secretária de Cidadania e Direitos Humanos de Vitória; Paulo Maia, presidente da OAB-PB; Felipe Santa Cruz, presidente da OAB-RJ; Simone Silveira, vice-presidente da OAB-ES; Ricardo Barros Brum, secretário-geral da OAB-ES; Érica Ferreira Neves, secretária-geral adjunta da OAB-ES; e Giuliano Cesare Imbroisi, diretor-tesoureiro da OAB-ES.

Ainda: Os conselheiros federais Flávia Brandão Maia Perez, Luciano Rodrigues Machado, Cláudio de Oliveira Santos Colnago, Alfredo Rangel Ribeiro e Luiz Saraiva Correia; Ítalo Scaramussa, coordenador do Colégio de Presidentes de Subseções da OAB-ES; Cláudia Lima Marques, vice-presidente da Comissão Especial de Defesa do Consumidor do CFOAB; Pedro Luiz de Andrade Domingos, presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB-ES; e Carlos Augusto Alled de Carvalho, presidente da Caixa de Assistência dos Advogados da OAB-ES. 

Lamachia presente a inauguração da nova sede da subseção de Castelo-ES

Brasília – O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, participou nesta quarta-feira (6) da inauguração da nova sede da subseção de Castelo, na região sul do Espírito Santo, em cerimônia que contou com a presença do presidente da OAB -Seção Espírito Santo (OAB-ES), Homero Mafra, do presidente da subseção, Carlos Henrique Soares Petter e por dezenas de advogados e advogadas.

Lamachia elogiou a atuação de Homero Mafra e comemorou a abertura do novo espaço da advocacia: “Como é bom ser presidente nacional da OAB tendo à frente do Colégio de Presidentes um coordenador do porte, da estatura, da competência e da lealdade de Homero Mafra. Isso definitivamente eu devo ao Espírito Santo, por isso cada vez que venho aqui tenho que fazer esse agradecimento público mais uma vez a todos os advogados e advogadas, por nos emprestar essa grande liderança que é fonte segura de inspiração para todos nós”, destacou Lamachia.

Ele agradeceu também ao presidente da Subseção: “Esta é mais uma casa da advocacia e também para a cidadania, porque uma sede da OAB é para a sociedade também”.

Por fim, o presidente nacional da OAB se dirigiu à advogada Santuzza da Costa Pereira, filha de Agesandro da Costa Pereira, ex-presidente da OAB-ES que morreu na semana passada: “Quero mais uma vez falar de minha admiração pelo sempre é eterno presidente Agesandro, ele merece todas as nossas homenagens. Sem dúvida, o respeito ao passado é alicerce fundamental para a construção da cidadania. Mas Agesandro não representa para nós o passado, mas sim o futuro, o presente, pelas suas lições que estão vivas em todos nós”.

O presidente da OAB-ES disse que faria um breve discurso porque teria de voltar para Vitória para, junto com Lamachia, abrir a IV Conferência Internacional de Direito Ambiental, mas agradeceu muito a vinda do presidente nacional: “Esse compromisso do Lamachia com o Espírito Santo é que faz com que a gente possa realizar coisas assim, como essa sede”, disse Homero Mafra, ressaltando também o empenho do secretário-geral da OAB-ES, Ricardo Brum, e da secretária adjunta, Érica Neves, que estavam presentes à cerimônia.

O presidente da OAB-ES também saudou a filha de Agesandro, Santuzza, que prestigiou a inauguração.

O presidente da 9a Subseção, Carlos Henrique Petter, fez agradecimentos em seu discurso de boas-vindas e comemorou a presença do presidente nacional da OAB: “Em 30 anos de Subseção, é a primeira visita de um presidente do Conselho Federal”, destacou.

ESTRUTURA

A nova sede da Subseção – que atende, além de Castelo, os municípios de Conceição do Castelo, Venda Nova do Imigrante, Afonso Cláudio e Laranja da Terra – fica próxima ao terreno onde será construído o Fórum da Comarca, no bairro Exposição.

O imóvel possui 306 metros quadrados, em um terreno de 503 metros quadrados, totalmente adaptado para atender às necessidades da advocacia e da sociedade da Região Sul. São três escritórios individuas/coletivos equipados com wi-fi, computadores e impressoras, e um auditório na parte superior com capacidade para 66 pessoas, sendo toda obra planejada para irrestrita acessibilidade.

Com informações da OAB-ES