OAB irá ao STF pelo fim do crime de desacato contra agentes públicos

Brasília – Por decisão firmada nesta terça-feira (23) em seu Conselho Pleno, órgão máximo de deliberação da entidade, a OAB Nacional ingressará no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) contra a eficácia do crime de desacato, previsto no artigo 331 do Código Penal. A Ordem entende que a tipificação viola, dentre outros, o princípio constitucional da igualdade entre particulares e servidores públicos. 

O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, entende que – no caso específico da advocacia – a possibilidade de incorrer em crime intimida a atuação diante de agentes públicos. “A advocacia acaba muitas vezes sendo tolhida do direito de atuar plenamente na defesa de seus constituintes sob a ameaça de ter sua atuação considerada criminosa de forma injusta”, alertou.   

A relatoria ficou a cargo do conselheiro federal Eduardo Serrano da Rocha (RN). “A Comissão Nacional de Estudos Constitucionais recomendou a ADPF e teve o parecer acolhido integralmente. Trata-se da adoção de entendimento já adotado em outros países, como Alemanha e França, de que o crime de desacato deve ter sua eficácia afastada. A previsão de punição para uso de linguagem e atitudes ofensivas contra agentes estatais cerceia as pessoas do direito à liberdade de expressão pelo temor a sanções penais”, apontou.

Em seu voto, Eduardo recomendou a eliminação do desacato como modalidade criminal no Brasil, sob justificativa de se resguardar a liberdade de expressão dirigida ao Estado e seus operadores. “O desacato, previsto no artigo 331 do Código Penal, viola o princípio constitucional da igualdade ao estabelecer diferenças cabais entre servidor público e cidadão. Nós, advogados, sabemos bem como isso se dá nas atividades de rotina junto a tribunais e fóruns. Chega de sermos humilhados, a hora é de desafiar os prepotentes que colocam as garantias da administração pública a uso próprio”, disse. 

O conselheiro Maurício Silva Pereira (AP) reforçou a importância do voto proferido pelo colega para que o pleito avance ao STF. “O desacato tem sido utilizado como meio de ameaça aos colegas da advocacia Brasil afora. Vejo que será um desafio fazer com que o Supremo acolha a proposição, mas se há uma entidade com credibilidade e moral para tanto, com certeza é a OAB. Temos que fazer história e o momento é este”, afirmou. 

Na sessão, os conselheiros lembraram ainda que o Projeto de Lei 602/2015, que atualmente aguarda designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, estabelece o abuso de autoridade como um ato de improbidade administrativa e extingue o crime de desacato. “É exatamente a linha republicana que entendemos ser necessária e imprescindível à moralização das relações entre agentes públicos e cidadãos no Brasil, principalmente os profissionais da advocacia”, reforçou o presidente da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia, Jarbas Vasconcelos.

Pleno decide constituir comissão para avaliar ação de sites que oferecem serviços jurídicos

Brasília – O Conselho Pleno da OAB decidiu formar uma comissão especial para elaborar uma minuta de provimento para regular o funcionamento de sites que promovem divulgação e contratação de serviços advocatícios, oferta de serviços advocatícios de terceiros e captação de clientela. O assunto foi discutido em sessão realizada nesta segunda-feira (21). O debate sobre o tema foi proposto a partir da Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas e Valorização da Advocacia e relatado pelo conselheiro federal José Alves Maciel (TO).

A comissão trabalhará sob a coordenação do corregedor nacional do Conselho Federal, Ibaneis Rocha Barros Junior. O colegiado será formado pelos conselheiros federais Alexandre Mantovani (MS), Carlos José Santos da Silva, o Cajé (SP), Cassio Lisandro Telles (PR), Delosmar Domingos de Mendonca Junior (PB), Jarbas Vasconcelos (PA) e Marina Gadelha (PB).

Marcha das Prerrogativas: OAB realiza desagravos em Brasília

Brasília – O presidente nacional
da OAB, Claudio Lamachia, realizou nesta terça-feira (22) dois atos de
desagravo público na sede do Conselho Federal, em Brasília. Os atos integram a
passagem da Marcha de Prerrogativas pelo Distrito Federal. Ao discursar, o
presidente da Ordem reafirmou o compromisso da OAB com a defesa da atuação
profissional dos advogados em todos os cantos do país. O ato foi realizado
conjuntamente à passagem da marcha das prerrogativas, promovida pelo Conselho
Federal e pela seccional do Distrito Federal, que já visitou 17 estados.

“A OAB vai aonde o advogado está.
Este ato de desagravo que faremos aqui destes dois colegas em Brasília
exatamente demonstra o compromisso da OAB, que vai à menor cidade que possa
existir neste país para desagravar um advogado e que vem ao Distrito Federal,
na capital da República, dizer que não aceitamos desrespeito às nossas
prerrogativas, à nossa atuação profissional”, disse Lamachia.

O primeiro ato de desagravo foi
para Eliane Cristina Pestana, que sofreu constrangimentos e ofensas quando se
encontrava no regular exercício de sua atividade profissional em distrito policial
localizado em Taguatinga, cidade satélite de Brasília. O presidente da
seccional capixaba da OAB, Homero Junger Mafra, que também é coordenador do
Colégio de Presidentes de Seccionais, leu o manifesto.

“Acho que minha escolha tem o
simbolismo de demonstrar o compromisso de todos os presidentes seccionais com a
defesa das prerrogativas, de demonstrar a certeza de que não estaremos, em
momento algum, omissos diante de violações”, disse ele.

O segundo desagravo foi para Werley
Granado Junqueira, que sofreu constrangimento e ofensas às suas prerrogativas
profissionais perpetradas por autoridade policial na noite de 25 de maio de
2015 em delegacia de polícia localizada em Ceilândia, cidade satélite de
Brasília. Na ocasião, Junqueira foi impedido de acompanhar o interrogatório,
bem como de manter contato com seu cliente.

O presidente da seccional do
Distrito Federal, Juliano Costa Couto, leu o manifesto em desagravo de Junqueira.
“Não deixaremos que nenhum tipo de violação seja perpetrada no Distrito Federal.
Podem contar conosco”, resumiu ele durante o ato.