Lamachia critica proposta de planos de saúde populares com atendimento limitado

Brasília – O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, fez duras críticas à proposta que tem sido estudada no Ministério da Saúde para a criação de modalidade de planos de saúde que não contemplam internação, urgência e nem exames de alta complexidade. Segundo ele, a OAB atuará, como atuou quando da discussão do congelamento orçamentário proposto pelo governo para as áreas de Educação e Saúde, para evitar que tal medida seja adotada. Ele salientou que a crise financeira levou muitas pessoas a abrir mão dos planos de saúde, aumentando as demandas sobre o Sistema Único de Saúde.

“É notório que nos últimos anos, em função da crise que o país atravessa, cresceu substancialmente o número de brasileiros que dependerão exclusivamente do Sistema Único de Saúde para ter suas necessidades atendidas. É preocupante que neste momento de fragilidade do sistema a alternativa em elaboração no Ministério da Saúde seja a criação de planos de saúde com modalidades que não contemplam internação, urgência e nem exames de alta complexidade”, disse Lamachia.

O presidente da OAB defendeu que o Sistema Único de Saúde seja fortalecido “para que ele possa atender com qualidade a demanda crescente”. “O direito de acesso à saúde é garantido pelo artigo 6º da Constituição Federal e não pode ser relativizado”, destacou Lamachia. Ele questionou ainda a possibilidade de que planos de saúde com abrangência de atendimento limitada possam ser suficientes para garantir a tranquilidade das pessoas.

“É absurdo imaginar que aqueles que necessitam de atendimento médico hospitalar possam ficar à mercê da sorte com planos de saúde que não contemplam internação, urgência e exames de alta complexidade. Ninguém escolhe adoecer ou é capaz de prever a ocorrência de um acidente ou situação que possa redundar na dependência desse tipo de atendimento, razão pela qual é surreal imaginar que um plano nesse formato seja adequando para a população. A OAB lutará contra retrocessos. Crise não é justificativa para retroceder”, declarou Lamachia.

“Não aceitaremos arbítrios hoje, amanhã e nem nunca”, diz Lamachia em desagravo na PB

Brasília (DF) e João Pessoa (PB) – O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, esteve nesta sexta-feira (10) na capital paraibana, onde participou do ato de desagravo público ao advogado Luciano Carneiro, que recentemente foi preso, algemado e agredido pela Polícia Civil do Estado no exercício de suas funções.

O desagravo aconteceu em frente à Central de Polícia e contou com as presenças, além de Lamachia e do advogado desagravado, do presidente da OAB-PB, Paulo Maia; dos conselheiros federais Rogério Varela (PB), Alfredo Rangel (PB), Edward Johnson (PB) e Delosmar Mendonça (TO).

Lamachia reforçou, no ato, que a OAB não aceita nenhum tipo de desrespeito à advocacia. “É inaceitável que ainda se viva na sociedade atual com situações como esta. O agente público que desrespeita a advocacia hoje, futuramente precisará dela. Atos como esses são reprováveis sob todos os aspectos, pois desrespeitam não só nossa classe profissional, mas toda a cidadania e a sociedade”.

“Somos os defensores da liberdade, um bem fundamental, mas também defendemos a própria vida ao zelarmos pela dignidade do cidadão. Este é o advogado, o colega Luciano Carneiro, que honrou nossa profissão e não teve medo, um profissional a lutar contra o arbítrio e a prepotência. Representamos aqui, hoje, mais de um milhão de advogados em respeito, aplauso e solidariedade”, completou. 

Paulo Maia citou Sobral Pinto ao recordar que a advocacia não é uma profissão de covardes. “Este ato é muito importante, pois mostra que não estamos acocorados. Nós exigimos respeito às garantias da nossa profissão. Não é contra a instituição Polícia civil e sim contra alguns servidores públicos que devem exercer bem suas funções e atender bem à sociedade, mas acabam se desvirtuando deste fim e violam as prerrogativas dos advogados, além de cometer flagrante abuso de autoridade”, disse, ao microfone.