“Quero aumentar a interlocução com as ouvidorias das seccionais”, diz Elton Assis

Brasília – Ouvidor Nacional da OAB, Elton Assis afirma ter planos de ampliar a rede
de parcerias com ouvidorias nos estados e com Tribunais para criar uma teia de
informações no meio jurídico. Em entrevista ao portal do Conselho Federal, Assis detalhou esse plano e falou a respeito do trabalho da ouvidoria. Confira abaixo os principais trechos da entrevista concedida pelo ouvidor nacional da OAB:

Pergunta: A ouvidoria ainda é muito procurada para
esclarecimentos jurídicos, mas essa não é a função dela, correto?
Elton Assis: Há uma certa confusão da sociedade em geral de buscar a
ouvidoria para solucionar problemas jurídicos e essa não é a função da ouvidoria.
A função da ouvidoria é identificar as principais demandas que
existem hoje dentro do sistema da Ordem e a partir daí propor soluções
para melhorar a prestação de serviços da entidade. Em dois campos principais:
na defesa da advocacia e também no seu papel institucional de defesa da
sociedade. Uma das principais funções da ouvidoria é ser esse canal de
comunicação com os advogados e com a sociedade.

Pergunta: Em sua opinião, nesses quase 10 anos de ouvidoria, qual foi o
maior avanço na relação da OAB com os advogados?
Elton Assis: A ouvidoria tem desempenhado um papel muito importante de
trazer para o advogado primeiramente o funcionamento da estrutura interna da
Ordem. Segundo, ouvindo essas demandas, conseguimos melhorar muito o desempenho
de nosso papel institucional. Também vejo que nesse período, evoluímos muito.
Basta verificar o volume de procura da ouvidoria, que tem sido cada vez maior.
E com a implantação do sistema eletrônico tivemos benefícios fantásticos. Ele
possibilita àqueles que procuram a ouvidoria saber como a demanda foi
formatada, para onde a demanda foi encaminhada e qual a resposta.

Pergunta: A ouvidora tem acordos de partilha de demandas com o STJ e com
a PGR. O senhor pretende estender essa rede?
Elton Assis: Minha ideia é renovar os acordos de cooperação que já
existem com a Procuradoria-Geral da República e o do Superior Tribunal de
Justiça e tentar ampliar isso para o CNJ e também para os tribunais de justiça.
E também levar isso para as seccionais para que eles tentem firmar acordos com
os tribunais de justiça locais, TRT e Justiça Federal. Muitas demandas que
chegam hoje a Ouvidoria relacionam-se, muitas vezes, com a atuação do poder
Judiciário, do Ministério Público ou até mesmo com o Tribunal de Contas. Então
penso que se firmarmos esses acordos de cooperação teremos condições de
encaminhar essas demandas para esses órgãos, poder acompanhar isso e dar uma
resposta a quem nos procurou. Quero ampliar esses acordos, é minha grande meta.

Pergunta: Seria criar uma grande teia de troca de informações no meio
jurídico?
Elton Assis: Exatamente, com as ouvidorias de uma maneira geral. E hoje
a interlocução entre a ouvidoria do Conselho Federal e muitas ouvidorias das
seccionais acontece por meio de ofícios, e-mails, ect. É óbvio que há uma
resposta, mas se tivermos um acordo de cooperação onde possamos encaminhar isso
diretamente ao poder Judiciário e ter o acompanhamento disso vamos melhorar
muito a qualidade da prestação do nosso serviço dentro da Ordem e cumprir a
finalidade da ouvidoria. Uma das pretensões que tenho é de buscar uma maior
interlocução com todas as ouvidorias das seccionais e tentar levar para elas o
sistema eletrônico que hoje funciona no âmbito do Conselho Federal. Isso claro,
sempre respeitando a autonomia das seccionais. De forma que haja uma
interlocução muito mais rápida e eficaz entre as ouvidorias. A implantação
desse sistema que hoje funciona no Conselho Federal nos permitirá fazer uma
radiografia de todo o sistema OAB no Brasil e assim identificar onde estão as
fragilidades para podermos atuar nesses pontos e melhorar a nossa atuação
institucional.

Pergunta: As pessoas ainda têm uma visão equivocada da ouvidoria? Há
muitas demandas que chegam e tem mais a ver com a corregedoria?
Elton Assis: Acontece sim. Muitos advogados e mesmo pessoas da sociedade
em geral entram em contato com a ouvidoria buscando uma espécie de corregedoria
das seccionais. Nesse aspecto, temos orientado o advogado a procurar as
seccionais porque a Ouvidoria no âmbito do Conselho Federal não pode funcionar
como corregedoria. Quando isso acontece, encaminhamos às seccionais e elas
encaminham para o tribunal de ética, quando for o caso, ou para o órgão
competente. Uma coisa importante é a autonomia das seccionais. Essa autonomia
para mim é fundamental, tenho isso como algo muito claro. Quero aumentar a
interlocução com as ouvidorias das seccionais, mas sempre tendo como base o
respeito a autonomia das seccionais.

Pergunta: Como a ouvidoria avalia questões relacionadas ao Exame de
Ordem? Há muita distorção dos candidatos ao recorrer a esse canal?
Elton Assis: Entendo que a Ouvidoria deve atender a todas as demandas
que chegam a ela. Entendo que a Ouvidoria tem cumprido bem esse papel na
questão do Exame de Ordem. Mas é bom deixar claro que essa matéria não é
deliberada pela Ouvidoria. Ela recebe este tipo de demanda e encaminha para a
Fundação Getúlio Vargas e para a coordenação do Exame de Ordem. Não é a
Ouvidoria que resolve esse tipo de situação, ela faz encaminhamento, mas é um
canal que tem funcionado. Acho que seria interessante, e isso é uma questão que
pretendo evoluir junto com a diretoria do Conselho Federal, de estabelecer um
canal próprio onde o candidato possa se dirigir diretamente à coordenação do
Exame de Ordem e até a própria Fundação Getúlio Vargas, que hoje é responsável
pelo Exame de Ordem.

Pergunta: A ouvidoria é muito demanda com relação a posicionamentos da
OAB, como isso funciona? Aumentou a demanda com a crise política?
Elton Assis: Com esse momento político que estamos vivendo, essa demanda
tem aumentado bastante. A sociedade busca na Ordem, até pela importância que a
Ordem tem na história do Brasil, o papel importante que ela teve,. A Ordem
tomou uma posição sobre o impeachment, decidida pelo Conselho Pleno da entidade
e tem, através da Ouvidoria, tentado repassar para a sociedade qual foi a
posição que ela adotou.

Pergunta: O aviltamento de honorários ainda é frequente? Há uma
ouvidoria específica para esse assunto. Como a ouvidoria tem atuado para
combater essa questão?
Elton Assis: A Ouvidoria de Honorários tem funcionado de forma muito
positiva. Ela coleta todas as demandas de aviltamento de honorários e, com uma
atuação conjunta com a procuradoria Nacional de Defesa de Prerrogativas, tem
dado uma resposta muito positiva para os advogados que procuram a Ordem. Acho
que com o ingresso do novo Código de Processo Civil a Ouvidoria terá um papel
muito importante, até para fazer cumprir exatamente o que está previsto no novo
Código de Processo Civil.