Veja Carta de Recomendações ao Poder Público assinada por OAB e entidades da saúde

Brasília – A audiência pública “A Saúde na UTI”,
realizada pela OAB Nacional nesta terça-feira (9), reuniu dezenas de
representantes de entidades, secretários estaduais e municipais, ministros de
Estado e demais representantes do governo federal, dos Estados e dos
municípios. Na pauta, a luta pelo financiamento da saúde pública e estratégias
para barrar o corte orçamentário. Os participantes assinaram termo conjunto a
ser levado ao governo federal e ao Congresso.

Após os debates, que duraram toda a manhã e parte da
tarde, uma Carta de Recomendações foi redigida para ser encaminhada às
instâncias do poder público junto ao termo conjunto subscrito pela OAB e demais
entidades.

Veja a íntegra da carta:

CARTA DE RECOMENDAÇÕES

Caro Presidente,

1. Ao cumprimentá-lo, o Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil – CFOAB, por seu Presidente, juntamente a sua Comissão
Especial da Saúde, em reunião pública realizada no dia de hoje, com a
participação e apoio dos Órgãos e Entidades subscritas, vêm dar conhecimento a
Vossa Excelência das principais questões tratadas, bem como solicitar
encaminhamentos cabíveis junto aos órgãos competentes, como segue:

2. Considerando a realidade e a dimensão da saúde pública
brasileira, com a identificação de prejuízos determinantes ao acesso para 150
milhões de brasileiros que só têm o SUS como garantia de alcance à saúde;

3. considerando a gradativa restrição de acesso e
desassistência da população, notadamente na observação das superlotações das
urgências e emergências, assim como falta de acesso às cirurgias e consultas
especializadas, com a exclusão assistencial, entre outros, de 12 milhões de
diabéticos, 17 milhões de hipertensos, 6,8 milhões de obesos mórbidos etc.;

4. considerando o inadequado financiamento, visualizado
pela descontinuidade de políticas públicas, tais como abrangência das redes
assistenciais, UPAs, disponibilidade de tecnologias na área de oncologia,
habilitações de complexidades, além do brutal subfinanciamento crescente ano a
ano;

5. considerando a perda de recursos, com a recente
aprovação da EC 86, na ordem de R$ 3 bilhões, levando em conta o exercício
2014/2015, com previsão de R$ 16 bilhões a menos em 2016, se comparado com o
ano de 2014;

6. considerando a PEC 241, que trata da desvinculação de
receitas e estabelecimento de tetos orçamentários, com previsão de perda
acumulada para 2017/2018, na ordem de R$ 12,7 bilhões, conforme estudos do
Conselho Nacional de Saúde;

7. considerando que as Santas Casas e os Hospitais
Filantrópicos brasileiros, que são a maior rede hospitalar conveniada com o
SUS, respondendo por 51% da assistência geral, sendo que na alta complexidade
alcança os 63%, pelo subfinanciamento imposto está em regime falimentar, não
mais tendo condições de administrar um déficit anual de R$ 10 bilhões, já com
dívida constituída de R$ 21,5 bilhões, com 218 hospitais fechados, 40 mil
trabalhadores demitidos, depreciação física e tecnológica crescente;

8. considerando a crescente transferência de
responsabilidades por parte do Ministério da Saúde na execução de políticas
públicas aos Estados e Municípios, sem o respectivo financiamento, inclusive de
forma descontinuadas, exigindo disponibilidade de recursos financeiros
incompatível com a capacidade orçamentária desses entes;

9. e, por fim, considerando ser a Ordem dos Advogados do
Brasil – OAB, entidade destinada, preponderantemente, à defesa da Constituição,
da ordem jurídica, do Estado democrático de Direito, dos direitos humanos, da
justiça social, o Conselho Federal da OAB, com apoio das Entidades e Órgãos
subscritores, requer de Vossa Excelência os encaminhamentos cabíveis em

prol da:

a) Priorização orçamentária federal para o setor saúde,
com adequação do financiamento do Ministério da Saúde, com vistas à garantia constitucional
da universalidade, gratuidade e integralidade das ações e serviços de saúde,
por meio do SUS, alcançando também a plenitude de acesso e o equilíbrio
econômico e financeiro nas relações obrigacionais firmadas com as instituições
prestadoras de serviços;

b) Adoção de políticas de Estado para o setor saúde;

c) A exclusão dos efeitos da PEC 241 sobre a área da
saúde;

d) Aprovação da PEC 01/2015.

10. Na certeza do encaminhamento das reivindicações
acima, o CFOAB renova suas expressões de elevado apreço.

Atenciosamente,

Cláudio Lamachia

Presidente Nacional da OAB

– ABEn – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM

– ABM – ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA

– ABRAM – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ASSISTÊNCIA À
MUCOVISCIDOSE (FIBROSE CÍSTICA)

– ABRAMED – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA DIAGNÓSTICA

– ABRAMGE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PLANOS DE SAÚDE

– ABRANGHE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PORTADORES DE
ANGIOEDEMA HEREDITÁRIO

– ABRASCO – ASSCOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SAÚDE COLETIVA

– ABRE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FAMILIARES, AMIGOS E
PORTADORES DE ESQUIZOFRENIA

– ABrES – ASSOCIAÇÃO BRADILEIRA DE ECONOMIA DA SAÚDE

– AFAG – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS FAMILIARES, AMIGOS E
PORTADORES DE DOENÇAS GRAVES

– AMB – ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA

– AMPASA – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE
DEFESA DA SAÚDE

– ABIFICC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INSTITUIÇÕES
FILANTRÓPICAS DE COMBATE AO CÂNCER

– ANAHP – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS HOSPITAIS PARTICULARES

– CEBES – CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS DE SAÚDE

– CFF – CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA

– CFM – CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

– CMB – CONFEDERAÇÃO DAS SANTAS CASAS DE MISERICÓRDIA,
HOSPITAIS E ENTIDADES FILANTRÓPICAS

– CNBB – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

– CNJ – CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA

– CNM – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS

– CNMP – CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO

– CNPGC – CONSELHO NACIONAL DOS PROCURADORES-GERAIS DE
CONTAS

– CNS – CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE

– CNS – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE

– CNTS – CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NA SAÚDE

– COFECON – CONSELHO FEDERAL DE ECONOMIA

– CONAMP – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS MEMBROS DO MINISTÉRIO
PÚBLICO

– CONFEF – CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA

– CONASEMS – CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS
DE SAÚDE

– CONASS – CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE

– COLEGIADO NACIONAL DE SECRETÁRIOS MUNICIPAIS DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL – CONGENAS

– CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA

– CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM

– CTB – CENTRAL DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO
BRASIL

– FÓRUM DO CONSELHO FEDERAL DA ÁREA DA SAÚDE

– FRENTE PARLAMNETAR MISTA EM DEFESA DO SUS

– FEDERAÇÃO DAS SANTAS CASAS E HOSPITAIS BENEFICENTES,
RELIGIOSOS E FILANTRÓPICOS DO RS

– FEDERAÇÃO NACIONAL DOS FARMACEUTICOS

– FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE HOSPITAIS

– FEHOFES – FEDERAÇÃO DAS SANTAS CASAS E HOSPITAIS
FILANTRÓPICOS DO ESTADO DO ES

– FNP – FRENTE NACIONAL DE PREFEITOS

– FNE – FEDERAÇÃO NACIONAL DOS ENFERMEIROS

– FEMIPA – FEDERAÇÃO DAS SANTAS CASAS DE MISERICORDIA E
HOSPITAIS BENEFICENTES DO ESTADO DO PARANÁ

– IDISA – INSTITUTO DE DIREITO SANITÁRIO APLICADO

– INSTITUTO RUI BARBOSA

– IPEA – INSTITUTO DE PESQUISA ECONOMICA APLICADA

– UNIMED DO BRASIL

– MPC-SP – MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS DO ESTADO DE SÃO
PAULO

– MPF – MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

– Psorisul – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PORTADORES DE
PSORÍASE

– REDE UNIDA

– SBN – SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA

– SINDHOSFIL – SINDICATO DAS SANTAS CASAS E HOSPITAIS
FILANTRÓPICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO

 

OAB está cumprindo hoje um papel histórico”, diz coordenador da Frente em Defesa do SUS

Brasília – O deputado federal Odorico Monteiro (PROS-CE),
coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Sistema Único de Saúde
(SUS), elogiou a iniciativa da OAB, que nesta terça-feira (2) promoveu a
audiência pública “Saúde na UTI”. O ato reuniu dezenas de presidentes de
entidades, secretários estaduais e municipais, ministros de Estado e demais
representantes do governo federal, dos Estados e dos municípios. Durante o
evento, ele defendeu a criação de um
sistema de relação interfederativa entre os entes federados para que eles
partilhem responsabilidades quanto à saúde dos seus habitantes.

“Quero parabenizar o presidente nacional da OAB, Claudio
Lamachia. Acho que é fundamental, a OAB cumpre hoje um papel estratégico na
defesa da saúde, na defesa do SUS, na defesa do financiamento da Saúde e, acima
de tudo, nesse esforço em tirar a saúde do Brasil da UTI. Isso é uma
mobilização de toda a sociedade”, disse Monteiro. “A OAB está cumprindo hoje um papel histórico que ela sempre teve na
sociedade brasileira em vários momentos”, acrescentou o parlamentar.

Monteiro criticou os gestores da área econômica que, em momentos de crise, gerenciam a situação
mexendo em “direitos sociais sagrados”. “E o da saúde é um direito para o qual
precisamos ter uma vigilância permanente para defendê-lo”, afirmou ele, que fez
uma crítica à Proposta de Emenda à Constituição 241, editada pelo presidente
interino, Michel Temer, e que acaba com as vinculações orçamentárias e
determina que o financiamento da Saúde e da Educação não ultrapassem aos
limites estabelecidos no ano anterior, independentemente do aumento das
receitas correntes líquidas.

“Só para se ter uma
ideia, se fora aprovada a PEC 241 teremos ao longo de 20 anos a redução de mais
de R$ 600 bilhões no financiamento da saúde. Isso significa que a sociedade
brasileira, que é uma sociedade que está envelhecendo – vamos envelhecer em 15
anos o que a Europa levou 100 anos para envelhecer, já que a Europa levou 100
anos para sair de 7,5% para 15% da sua população com mais de 60 anos e vamos
fazer isso nos próximos 15 anos – demandará proteção do estado às pessoas que
estão envelhecendo”, disse ele.

Proposta

Monteiro é autor do
projeto de lei 1645 que propõe a criação de um sistema de relação
interfederativa entre os diferentes entes federativos para que eles partilhem
responsabilidades quanto à saúde dos seus habitantes. “Onde é que temos
problemas? A saúde precisa do acesso do paciente na sua mobilidade de um
município para o outro. E hoje não temos nenhum mecanismo que tenha relação
solidária entre um município e outro, trazendo um prejuízo muito grande na
continuidade do tratamento”, explicou ele.

“Muitas vezes, num
município pequeno – e temos 4 mil municípios no Brasil com menos de 20 mil
habitantes – a população tem muita dificuldade de ter acesso a municípios
médios e grandes. Nosso projeto procura criar o contato organizativo de ação
pública para que a gente possa estabelecer uma responsabilidade solidária entre
o Ministério da Saúde, os estados e os municípios”, declarou o deputado.

Segundo o
coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Sistema Único de
Saúde, o SUS é um sistema em que a
gestão é isolada. “Você tem uma pactuação tripartite, mas na base do sistema
você não tem uma relação solidária. Então estamos propondo a criação de um
contrato organizativo de ação pública que seja celebrado entre a União, os
estados e os municípios, definindo metas, definindo responsabilidade solidária,
e que a gente possa garantir à população a continuidade do tratamento e não um
município pequeno empurrando para um maior e muitas vezes trazendo prejuízos e
morte para a população”, declarou Monteiro.