OAB Nacional presta homenagem a Hermann Assis Baeta

Brasília – Em reunião plenária realizada nesta terça-feira (12), a OAB prestou homenagem a Hermann Assis Baeta, ex-presidente da entidade (1985 a 1987) falecido há três meses.

O presidente nacional da Ordem, Claudio Lamachia, leu comunicado enviado por Ana Maria Baeta, viúva do homenageado, que lamentou não “reunir condições de saúde para estar presente à sessão na qual se realiza ato solene em homenagem a Hermann”. Fabiana e Marilda, sobrinhas de Hermann, representaram a família na sessão.

Lamachia exaltou qualidades do jurista. “Um grande cidadão brasileiro. Tivemos a honra de homenagear este homem exemplar ainda em vida, no ano de 2014. Exemplo de advogado que jamais por nós será esquecido. Minha trajetória vem de dois mandatos no Rio Grande do Sul, e em todas as oportunidades que tive de estar no Conselho Federal, sempre tive uma pessoa como exemplo: Hermann Assis Baeta. Tinha um olhar absolutamente diferenciado a todos nós. Quando se diz que sua família é muito grande, estão aí incluídos um milhão de advogados brasileiros. Baeta não representa o passado, mas sim o presente e o futuro da advocacia”, apontou.

Em seguida, passou a palavra ao membro honorário vitalício Ernando Uchôa Lima, que falou em nome do Conselho Federal da OAB. “Em quadra histórica marcada pela inversão de valores éticos, cerimônias desta natureza têm significado especial, pois resguardam a herança moral de antepassados à altura de Hermann Assis Baeta. Reverenciar nossos ícones é preservar uma brasilidade que tem se perdido. Sempre que um povo está traído como agora, cumpre buscar nos exemplos edificantes o caminho da redenção e do triunfo. A Ordem homenageia com louvor este exemplo de honradez e sensibilidade”, disse.

Uchôa lembrou ainda a luta de Hermann Assis Baeta nas questões fundiárias, além da defesa dos direitos humanos. “Homem de larga visão, proficiente e dinâmico, foi dele a decisão histórica de transferir do Rio de Janeiro para Brasília a sede da OAB Nacional. Defendeu com primor as prerrogativas dos advogados segundo os postulados democráticos, como farol a iluminar a estrada que nos incumbe continuar a percorrer”, finalizou.

Outro membro honorário vitalício, Marcelo Lavenère, se disse filho espiritual de Baeta e leu trecho de carta encaminhada ao jurista. “Você nunca deixou de ser o cidadão nordestino, bravo e leal, que logrou situações adversas da infância à maturidade, sem ceder às benesses do poder ou se render aos encantos da riqueza”, dizia um trecho.

Ophir Cavalcante também agradeceu os exemplos de homem e cidadão. "Exemplo de um advogado que amava sua profissão e sua entidade de classe. Muitos conviveram com ele neste Conselho, nas reuniões de Colégios de Presidentes. Ele e Ana foram um casal feliz, exemplo de amor e dedicação mútua, mostrando que, além de sermos entidade de classe, somos uma entidade que agrega e respeita a amizade, fazendo com que ela seja o grande motivo de união entre todos nós. Baeta, mesmo doente, comparecia às sessões do Conselho, mostrando-nos uma personalidade que devemos sempre cultuar. Feliz de um povo e de uma advocacia que teve este homem", apontou.

Marilda, sobrinha de Baeta, fez um breve agradecimento em nome da família.

Foi exibido o documentário “Igualdade, democracia e advocacia”, alusivo à trajetória de Baeta, com depoimentos do próprio Hermann e dos membros honorários vitalícios da OAB Nacional Cezar Britto e Marcelo Lavenère, além de Técio Lins e Silva, presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), e do jurista João Luiz Duboc Pineaud.

Hermann Assis Baeta, falecido em janeiro, presidiu o Conselho Federal da OAB de 1985 a 1987. Foi vanguardista nas principais discussões sobre a redemocratização do país, especialmente as travadas durante a XI Conferência Nacional dos Advogados, realizada em 1986, em Belém, que precederam com grande importância a Constituição de 1988.

 

OAB requer ao STF garantia de sustentação oral com Novo CPC

Brasília – O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, encaminhou ofício ao Supremo Tribunal Federal, ressaltando a posição histórica da entidade a favor do amplo direito de defesa, garantida pelo direito à sustentação oral de advogados em favor dos cidadãos. A manifestação se deu em razão de debate no STF acerca de aspectos da sustentação sob a luz do Novo Código de Processo Civil. O Conselho Pleno da Ordem, em sessão realizada nesta terça-feira (12), referendou a decisão.

A Suprema Corte debateu, ao apreciar agravo regimental contra decisão proferida no Mandado de Segurança n. 34.023, tratando de questão de ordem relacionada ao art. 937, inciso VI e § 3º, do novo CPC, o cabimento de sustentação oral de advogados no agravo interno interposto contra decisão de relator que conclui pela extinção de processo de competência originária. O STF não concluiu os debates.

“Inobstante o respeito que se dedica às posições contrárias manifestadas por ilustres ministros do STF na ocasião do referido debate, defende a OAB a irrestrita garantia do direito à plenitude da defesa, com a imediata observação das normas instrumentais citadas, do CPC em vigor”, afirma Lamachia no ofício.

O presidente da OAB explica que o Novo CPC prestigia os princípios constitucionais. Segundo ele, o próprio art. 937, que institui regras procedimentais para a sustentação oral, estabelece o tempo adequado à formulação da defesa na tribuna e os respectivos recursos que a determinam, chegando a prever a sua realização por meio de videoconferência ou outro meio tecnológico em tempo real.

“Argumentos envolvendo a viabilidade do funcionamento dos tribunais, ainda que respeitáveis, diante do inegável volume de processos, nunca hão de se sobrepor à prerrogativa legalmente instituída de intervenção dos patronos das partes nas hipóteses semelhantes, não devem se sobrepor à observância ao princípio da ampla defesa e da legalidade, em prol do esclarecimento dos magistrados e da melhor realização da justiça”, finaliza.

Além do ofício encaminhado ao presidente do STF, a diretoria da OAB também solicitou audiência com o ministro Luiz Fux para apresentar as razões da advocacia na questão. Também foi solicitada à Comissão de Acompanhamento do Novo CPC que prepare estudos sobre este tema e sobre outras questões relevantes relacionadas à aplicação do texto.