Jornal do Comércio: OAB cobra rapidez no acesso à delação de Delcídio

Brasília – Confira a entrevista do presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, concedida ao Jornal do Comércio, de Porto Alegre, onde ele cobra rapidez no acesso à delação do senador Delcídio do Amaral. Confira: Assista ao vídeo:    Rapidez, acesso a documentos e esclarecimentos dos processos da Operação Lava Jato, como a recente delação do senador Delcídio Amaral, ex-PT e hoje sem partido. O tom foi dado nesta terça-feira (8) pelo gaúcho que preside a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional, Claudio Lamachia. A partir da análise das informações, Lamachia disse que o conselho pleno da OAB decidirá se vai aderir ao pedido de impeachment (que tramita no Congresso Nacional) ou poderá fazer o seu pedido. O dirigente, que esteve pela manhã na entrega do prêmio Marcas de Quem Decide, promovido pelo Jornal do Comércio, lembrou que o acesso à delação de Delcídio foi pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira passada (4). Também houve o mesmo encaminhamento ao juiz Sergio Moro, no Paraná. "Precisamos nos posicionar a partir de elementos e provas", observou Lamachia. "A sociedade brasileira tem o direito de saber o que tem na peça." O presidente da OAB nacional fez uma cobrança forte de maior rapidez nos processos e reclamou do clima de indefinição do momento. "Os brasileiros não podem ficar nesta indecisão ou suspeita que recai inclusive sobre a presidente Dilma Rousseff, presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha) e até do Senado (Renan Calheiros)", listou Lamachia.

Zero Hora: “Crise é oportunidade de mudança”, afirma Claudio Lamachia

Brasília –  O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, concedeu entrevista para a edição desta quinta-feira (10), do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, em que aborda o posicionamento da entidade diante da atual crise enfrentada pelo país. Confira: Qual a posição do senhor sobre o pedido de impeachment? Pedimos acesso aos autos da operação que prendeu o marqueteiro de campanhas da presidente e à delação do senador Delcídio. Os relatos da imprensa dão conta de que estamos diante de fatos gravíssimos e que, se confirmados, revelam verdadeiro atentado contra nosso Estado Democrático de Direito, que não poderá ficar sem uma resposta por parte de nossas instituições e da OAB. Não posso me posicionar sem conhecer os autos e as provas. Se confirmados, tenham certeza que o conselho federal da OAB não deixará de se posicionar. Qual a saída para a crise? A crise política e econômica tem como causa uma crise moral e ética, sem precedentes, que envolve segmentos da classe política. A sociedade tem o remédio, que é a conscientização da importância do voto e da vigilância sobre os eleitos. Esse é o caminho que cada um de nós deve ter como norte. A Constituição afirma que o poder emana do povo e, portanto, temos de assumir nosso papel de protagonismo no atual momento da vida nacional. A OAB pode apresentar pedido de impeachment com base na delação de Delcidio Amaral? Se a OAB entender que existem fatos que ensejem o impedimento da presidente, o objeto do pedido deve estar baseado neste conteúdo. Portanto, seria um novo pedido, com base em novos elementos. Surgiram críticas de que o senhor quer investir na carreira política. Há esse desejo? Não tenho desejo. Tenho o maior respeito pela atividade política. O que precisamos é depurar a classe política. Tive inúmeros convites para ingressar na carreira política, de quase todos os partidos, de ideologias absolutamente distintas. Meu compromisso é com minha função. Meu partido é a OAB e minha ideologia é a Constituição. A OAB fará campanha de conscientização do voto em 2016? Faremos. O eleitor precisa saber que o direito ao voto vem acompanhado do dever de fiscalização. A crise é, antes de mais nada, uma oportunidade de mudança. A começar pelo próprio cidadão.