OAB e MJ fortalecerão ações conjuntas de vistoria em presídios

Brasília – A OAB Nacional e o Ministério da Justiça assinaram nesta quinta-feira (3) acordo para aumentar a eficiência e a colaboração entre os dois órgãos em visitas e inspeções de unidades prisionais. O termo foi firmado na abertura do seminário Propostas para a Redução da População Carcerária Brasileira, na sede da Ordem. O acordo foi assinado pelo presidente da Ordem, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, e pelo do diretor do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), Ricardo de Vitto, e da Coordenação de Acompanhamento do Sistema Carcerário, Adilson Geraldo da Rocha. Pelo termo, OAB e MJ buscarão uniformizar os procedimentos de visitas e inspeções em presídios. Para tanto, haverá intercâmbio de informações, métodos e técnicas para aprimorar esses procedimentos, abarcando a adequada utilização de dados e informações coletados, assim como o monitoramento contínuo das unidades. Conforme Marcus Vinicius, “essa é uma medida de extrema relevância, que garantindo a autonomia das instituições, permitirá uma análise otimizada do quadro atual do sistema carcerário, possibilitando a construção de melhores caminhos para a solução dos problemas”. O presidente reiterou a importância de medidas como a realização das audiências de custódia como fator de melhorias no sistema. “O déficit atual no sistema carcerário é de 231 mil vagas. Com as audiências de custódia cerca de 100 a 200 mil pessoas deixarão de ser encarceradas. É um projeto missionário, que quando estiver consolidado será reconhecido como algo histórico”. Ricardo de Vitto destacou a importância das medidas apontadas pela OAB, como a criação da coordenação de Acompanhamento do sistema Carcerário e a busca do diálogo permanente com as demais instituições ligadas ao sistema. “São atos que convergem para a defesa da cidadania e pelo respeito ao Estado Democrático de Direito”. O Depen abrirá o banco de dados de inspeções realizadas por seus parceiros para a Coordenação da OAB, que se compromete a ampliar as atividades de inspeção. Os membros dos dois órgãos passarão por treinamento para a coleta de dados uniformizada. “Esse é um pais continental, com diferenças incríveis de todas as ordens, mas o sistema prisional é igual em todo o país. Parece que tem de sul a norte a mesma capacidade de embrutecer ainda mais o apenado. A sociedade precisa compreender que este trabalho é de defesa de direitos humanos, mas principalmente de defesa da sociedade. Quando se consegue reverter esse quadro, quem ganha é a sociedade”, destacou o presidente da coordenação, Adilson Geraldo da Rocha.

Combate à corrupção e lavagem de dinheiro são essenciais, diz OAB

Brasília – O presidente nacional da OAB participou nesta quinta-feira (3) do encerramento do Seminário Internacional de Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Crime Organizado, do Superior Tribunal de Justiça. Marcus Vinicius Furtado Coêlho afirmou que a repressão a esses delitos é fundamental ao país, mas que devem ser respeitados o direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal. “Se o objetivo é erradicar a prática de crimes de organizações criminosas, é fundamental que as causas da corrupção sejam combatidas. Deve-se traçar um sistema de inteligência e cooperação, por parte das autoridades públicas, para combater não a lavagem singularmente considerada, mas para mapear todas as operações de origem suspeita que com ela tenham relação”, afirmou Marcus Vinicius. Para o presidente da OAB, é importante ressalvar que as investigações e as persecuções penais deflagradas em razão de lavagem de dinheiro e práticas de crime organizado não podem se desenvolver ultrapassando as margens da legalidade. Para a entidade, todos os envolvidos na investigação e no processo criminal, principalmente o indiciado e o seu advogado, devem ter seus direitos fundamentais resguardados. Também lembrou que as prerrogativas profissionais dos advogados devem ser respeitadas em todas e qualquer investigação. A Lei Antilavagem de Dinheiro, por exemplo, não se aplica ao advogado no exercício da profissão, sob pena de se prejudicar o próprio direito de defesa e o devido processo legal. “É inconstitucional qualquer interpretação que estenda aos advogados as obrigações contidas na Lei 9.683/12, impondo-lhes o dever de delatar seus clientes ou de expor informações que tenha tomado conhecimento no exercício da advocacia judicial, consultiva ou de arbitragem”, disse. Por fim, Marcus Vinicius traçou um histórico das ações da OAB contra a corrupção, com o envolvimento da entidade na elaboração e aprovação de diversas projetos que coíbem a prática, tais como as leis Anticorrupção e Ficha Limpa e a obrigação do voto aberto na cassação de mandatos de parlamentares. A entidade também lançou em 2014 o Plano Nacional de Combate à Corrupção. Participaram do encerramento do seminário do STJ o presidente da Corte, Francisco Falcão; o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o procurador-geral da República, Rodrigo Janot; os ministros do STJ Luis Felipe Salomão, coordenador científico, e Nancy Andrighi, corregedora de Justiça; o primeiro presidente da Corte de Cassação da Itália, Giorgio Santacroce; e João Ricardo Costa, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros. (IT)