Brasília – O presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, clamou por uma reforma política profunda no Brasil, feita sem ódio nem intolerância, na base do diálogo, com objetivo de fortalecer a democracia do país. A afirmação foi feita em seminário organizado pelo TSE sobre o tema, nesta quinta-feira (10), em Brasília. Durante a cerimônia de abertura do evento, Marcus Vinicius explicou que não há donos da verdade nesse debate nem um sistema político eleitoral perfeito. “A única verdade absoluta do direito é que não há verdade absoluta. Devemos sempre buscá-la, mas jamais detê-la. Um encontro como este serve para apontar caminhos e buscar soluções em prol de uma reforma política que torne nosso país mais forte”, afirmou. Segundo o presidente, a OAB participa ativamente das discussões, defendendo suas posições há muitos anos, mas que está sempre receptiva a debater outros programas. É preciso, disse Marcus Vinicius, ter o espírito aberto na busca de saídas. Neste caminho, continuou, é fundamental fortalecer a atuação dos parlamentares, representantes do povo brasileiro. “Para que possamos defender a democracia, não podemos concordar com discurso que criminaliza a atividade política. Não há povo sem representantes. A atividade pública deve ser valorizada”, disse. O ministro do TSE João Otávio de Noronha, organizador do seminário, classificou como palpitante o tema da reforma política, dizendo haver um grande anseio da sociedade por mudanças. “É necessária uma modernização das instituições para que o país continue seguindo por trajeto democrático”, afirmou. Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF e atual presidente do Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral, avaliou como de extrema importância a reforma política, mas ponderou que ela dificilmente mudará muito o sistema vigente porque será feita por quem tem interesse: os parlamentares. “O vitorioso não muda de métodos. Esta é uma reflexão do ex-presidente Juscelino Kubitschek. No entanto, essas dificuldades são da história. A democracia é sempre uma obra inacabada e aí reside sua grande beleza. Desde que seja possível o diálogo entre divergentes, há sempre um passo a dar”, explicou. Os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, concordaram que não há um lado dono da verdade no debate sobre a reforma política, mas que o Congresso tem trabalhado no tema. Entre as medidas aprovadas recentemente pelas casas está a redução do tempo de campanha e de seus custos, a modificação do prazo de filiação e a limitação do financiamento. “Queremos aperfeiçoar a legislação e banir condutas impróprias. A reforma política tem que passar pelo fortalecimento de partidos, com limites e critérios para o financiamento, sempre com transparência. A reforma é um sinal inequívoco de que a sociedade está avançando e discutindo sua representatividade e a forma como o poder é exercido”, disse Calheiros. Reflexões O ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, proferiu a conferência de abertura do seminário e apresentou pontos para a reflexão sobre a reforma política, entre eles o grande número de partidos políticos, a dificuldade estrutural do sistema político e o processo democrático dentro dos partidos. Toffoli também abordou a questão do financiamento de partidos e candidatos por empresas privadas, destacando que três setores (alimentício, financeiro e construção civil) são responsáveis pela maior parte das doações. Destacou, ainda, que deve haver cuidado na distribuição do Fundo Partidário, já que na Itália o financiamento público prejudicou os candidatos, pois os partidos não transferiam para eles o dinheiro. “Não há soluções fáceis, a reforma política tem de ser um debate permanente.” (IT)
Arquivos Mensais:setembro 2015
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Comprovação de pirataria pode ser feita por amostragem
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A Câmara dos deputados aprovou, novamente, a doação por empresas a campanhas eleitorais. A votação do Projeto de Lei 5.735/2013 ocorreu na quarta-feira (9/9) e terminou na madrugada desta quinta-feira (10/9). A mudança altera o projeto aprovado pelo Senado no dia 2 de setembro e deverá ser analis…
Só são garantidas a índios terras ocupadas em outubro de 1988
A portaria do Ministério da Justiça que declarou a posse permanente do grupo indígena Guarani Chiripá e Mbya na chamada Terra Indígena Mato Preto, localizada nos municípios gaúchos de Erebango, Erechim e Getúlio Vargas não está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal Federal. Por…
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Ativos e inativos devem receber a mesma gratificação por desempenho
Enquanto os critérios de avaliação de desempenho dos servidores não forem regulamentados, as gratificações pagas pelo efetivo exercício do cargo (pro labore faciendo) possuem caráter geral. Logo, devem ser estendidas aos aposentados e pensionistas nos mesmos parâmetros em que são pagas aos servid…
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Febre de enunciados no NCPC e a (in)constitucionalidade do ofurô
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CNMP apoia candidatos a cargos em tribunal da ONU
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Roberto Barroso: Processo penal precisa de rearrumação doutrinária
*O texto abaixo é o prefácio da 2ª edição do livro Curso de Direito Processual Penal: Teoria (Constitucional) do Processo Penal, escrito pelo juiz federal Walter Nunes da Silva Júnior.
A constitucionalização do Direito Processual Penal
Uma das virtudes que fazem os grandes juristas — ao lado …





