OAB e Conselho de Direitos Humanos pedem plano emergencial no Maranhão

Brasília – O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) reuniu-se, nesta quinta-feira (9), para tratar da situação da segurança pública, principalmente o sistema carcerário, do Maranhão. Coordenado pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário, o encontro contou com representantes de diversas entidades do governo e da sociedade civil. O Conselho Federal da OAB foi representado pelos conselheiros Everaldo Patriota e Percílio de Sousa Lima Neto, respectivamente por Alagoas e Distrito Federal. O CDDPH decidiu, após votação entre seus conselheiros, emitir uma declaração pública sobre a violência no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão (MA), no qual pede um plano emergencial para conter a crise. O documento relata que a situação no presídio alcançou o mais alto grau de violações aos direitos humanos, em razão da sequência de homicídios, das denúncias de estupros contra familiares e da ausência de controle por parte das autoridades sobre o que ocorre em Pedrinhas. Para o conselheiro federal da OAB, Everaldo Patriota, a situação no presídio maranhense é de total barbárie, “como se houvéssemos voltado à Idade Média”. “A defesa dos direitos humanos é um primado de civilidade e um tema muito caro à OAB, inclusive estando em nosso juramento. São necessárias medidas urgentes para conter essa crise. O que está em jogo é o próprio Estado Democrático de Direito”, afirmou. Ele disse que a entidade pugna por uma intervenção localizada na gestão prisional do Maranhão. “Se o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entrar com pedido de intervenção, por certo a OAB será amicus curae no processo”. O juiz de Direito, Douglas de Melo Martins, que é coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), disse que uma das medidas mais urgentes é a descentralização do sistema prisional do Maranhão. “Os presos do interior devem cumprir pena no interior, pois isso evita o conflito de facções rivais nos presídios da capital. O presídio de Pedrinhas não tem mais condições de receber detentos”. O CNJ já fez quatro vistorias em Pedrinhas desde 2008. Para Aurélio Veiga Rios, subprocurador-Geral da República, se o Estado não cuidar de seus presos, a violência volta-se contra a sociedade. “O preso perde direito à liberdade, mas nunca o direito à dignidade”, afirmou. A ministra Maria do Rosário elogiou a atuação da OAB no CDDPH, inclusive lembrando que foi a entidade, na década de 1970, que lutou contra a ditadura enquanto era membro do Conselho. DOCUMENTO A declaração pública do CDDPH indica, entre outros, a apuração e responsabilização dos mandantes e executores das mortes em Pedrinhas; a elaboração, por meio do governo do Maranhão, de um plano emergencial para conter as graves violações de direitos humanos no sistema; responsabilização dos agentes do Estado que tenham participado de ações criminosas e realização de mutirões tendo em vista resolverem a situação dos presos provisórios. OEA Na última quarta-feira (8), a OAB protocolou dois requerimentos junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) para que medidas urgentes sejam tomadas pelos governos do Maranhão e do Rio Grande do Sul para a solução da crise do sistema prisional. “A situação das casas prisionais vem sendo denunciada pela OAB há muitos anos”, afirmou o presidente do Conselho Federal, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. Em dezembro, a OAB iniciou uma ação nacional que vai inspecionar os presídios mais problemáticos do país.

Presídios: OAB Nacional vai propor ações civis públicas

Brasília – Em decorrência das vistorias que vem sendo realizadas há vários anos pela OAB Nacional, intensificadas em dezembro do ano passado, a entidade irá propor ações civis públicas em cada estado para denunciar formalmente ao judiciário a situação dos presídios brasileiros. As ações irão requerer providências enérgicas e que os estados sejam compelidos a dar assistência às famílias dos presos mortos, bem como garantir indenizações pela falta de proteção efetiva aos apenados. A providência foi comunicada na manhã desta sexta-feira (10) pelo presidente da entidade, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. "O estado é responsável pela proteção da vida das pessoas submetidas a sua custódia”, afirmou. O presidente destacou que objetivo “é fazer justiça a cada ser humano”. “As ações simbolizam uma medida de pressão aos governos estaduais para vencerem a inércia que se encontram no tema do sistema carcerário", completou. A ação irá requerer ao juiz de cada estado que determine a separação dos presos provisórios dos definitivos e, ainda, que seja de acordo com a gravidade do crime que cometeram. Além disso, cobrará que seja assegurado um custeio mensal mínimo para a manutenção das atividades nas penitenciárias. As seccionais já trabalham nas ações que serão protocoladas a partir da próxima semana.