Mais de uma centena de entidades juntam-se à OAB contra a Reforma da PrevidênciaData da Publicação: 16 de fevereiro de 2017 às 20h03
Brasília – Mais de cem entidades
manifestaram apoio a Carta Aberta elaborada pela OAB em face da Proposta de
Emenda à Constituição (PEC) 287, de autoria do governo federal, que institui a
reforma da previdência. A carta manifesta contrariedade da Ordem aos termos da
proposta anunciada pelo governo federal. Nesta semana, o documento recebeu
aprovação unânime do Conselho Pleno, instância máxima da OAB nacional.
A Carta manifesta preocupação com
relação ao texto da proposta de Reforma da Previdência “tendo em vista que ela
está fundamentada em premissas equivocadas e contem inúmeros abusos contra os
direitos sociais”. O documento foi fruto de uma rodada de discussões promovida
pela OAB nacional com o objetivo de consolidar um conjunto de propostas à
reforma da Previdência anunciada pelo governo federal por meio da PEC 287. Participaram
dos debates, além das comissões de Direito Previdenciário da OAB Nacional e de
todas as 27 seccionais, dezenas de entidades representantes de setores da
sociedade civil e também parlamentares.
Ao final da sessão em que o Pleno
ratificou a Carta, o presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, parabenizou
a Comissão Nacional de Direito Previdenciário pelo que classificou como “brilhante
trabalho” realizado no âmbito das reuniões prévias e da efetiva construção da
carta em conjunto com as demais entidades.
“O tema reforma da Previdência
necessita de um debate amplo, por entendermos que é uma questão técnica, que
envolve novos limites e um tempo de contribuição incompatível, sob pena de
pessoas contribuírem ao longo de toda uma vida e não conseguirem chegar à tão
sonhada aposentadoria”, disse Lamachia.
Clique aqui para ler a Carta ou leia abaixo:
CARTA ABERTA SOBRE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA
(PEC 287/2016)
As entidades abaixo nominadas, reunidas no Conselho Federal da OAB em 31
de janeiro de 2017, manifestam preocupação com relação ao texto da proposta de
Reforma da Previdência (PEC 287/2016), tendo em vista que ela está fundamentada
em premissas equivocadas e contem inúmeros abusos contra os direitos sociais.
A PEC 287/2016 tem sido apresentada pelo governo sob discurso de
catástrofe financeira e “déficit”, que não existem, evidenciando-se grave
descumprimento aos artigos 194 e 195 da Constituição Federal, que insere a
Previdência no sistema de Seguridade Social, juntamente com as áreas da Saúde e
Assistência Social, sistema que tem sido, ao longo dos anos, altamente
superavitário em dezenas de bilhões de reais.
O superávit da Seguridade Social tem sido tão elevado que anualmente são
desvinculados recursos por meio do mecanismo da DRU (Desvinculação de Receitas
da União), majorada para 30% em 2016. Tais recursos são retirados da Seguridade
Social e destinados para outros fins, especialmente para o pagamento de juros
da dívida pública, que nunca foi auditada, como manda a Constituição.
Diante disso, antes de pressionar pela aprovação da PEC 287/2016,
utilizando-se de onerosa campanha de mídia para levar informações questionáveis
à população, exigimos que o Governo Federal divulgue com ampla transparência as
receitas da Seguridade Social, computando todas as fontes de financiamento
previstas no artigo 195 da Constituição Federal, mostrando ainda o impacto anual
da DRU, as renúncias fiscais que têm sido concedidas, a desoneração da folha de
salários e os créditos tributários previdenciários que não estão sendo
cobrados.
A proposta de reforma apresentada pelo governo desfigura o sistema da
previdência social conquistado ao longo dos anos e dificulta o acesso a
aposentadoria e demais benefícios à população brasileira que contribuiu durante
toda a sua vida.
Dentre os abusos previstos na PEC 287/2016 destacamos os seguintes:
1) Exigência de idade
mínima para aposentadoria a partir dos 65 (sessenta e cinco) anos para homens e
mulheres;
2) 49 (quarenta e nove)
anos de tempo de contribuição para ter acesso à aposentadoria integral;
3) Redução do valor
geral das aposentadorias;
4) Precarização da
aposentadoria do trabalhador rural;
5) Pensão por morte e
benefícios assistenciais em valor abaixo de um salário mínimo;
6) Exclui as regras de
transição vigentes;
7) Impede a cumulação de
aposentadoria e pensão por morte;
8) Elevação da idade
para o recebimento do benefício assistencial (LOAS) para 70 anos de idade;
9) Regras inalcançáveis
para a aposentadoria dos trabalhadores expostos a agentes insalubres;
10) Fim da aposentadoria dos professores.
Além disso, a reforma da previdência prejudicará diretamente a economia
dos municípios, uma vez que a grande maioria sobrevive dos benefícios da
previdência social, que superam o repasse do Fundo de Participação dos
Municípios (FPM).
Diante disso, exigimos a suspensão da tramitação da PEC 287/2016 no
Congresso Nacional até que se discuta democraticamente com a sociedade, de
forma ampla, mediante a realização de audiências públicas que possibilitem a
análise de estudos econômicos, atuariais e demográficos completos, a fim de que
se dê a devida transparência aos dados da Seguridade Social.
É necessário garantir a participação da sociedade no sentido de
construir alternativas que venham melhorar o sistema de Seguridade Social e
ampliar a sua abrangência, impedindo o retrocesso de direitos sociais.
Brasília, 31 de janeiro de 2017.
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