Carta de Belém: VI Conferência Internacional de Direitos Humanos

Data da Publicação: 29 de abril de 2015 às 20h00

Belém (PA) – Na noite desta quarta-feira (29), foram oficialmente encerradas as atividades da VI Conferência Internacional de Direitos Humanos da OAB. O evento aconteceu em Belém e reuniu mais de 5 mil pessoas entre advogados, estudantes e profissionais de outras áreas, além de palestrantes que debateram com o público os mais diversos assuntos ligados ao tema. O presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, ressaltou a participação do público durante os três dias de evento na capital paraense. “Com a presença dos eméritos conferencistas, encerro a VI Conferência Internacional de Direitos Humanos. Fomos brindados na bela capital paraense não só com a maestria dos palestrantes, mas com a presença de um público absolutamente interessado e participativo. Saímos daqui revigorados contra a avalanche da ditadura, pois celebramos os avanços nos Direitos Humanos e propusemos também soluções, para construirmos caminhos a partir da pluralidade”, apontou. Na cerimônia de encerramento, o jurista Pedro Dallari – um dos homenageados com o Prêmio OAB de Direitos Humanos – elogiou o evento. “Fui integrante da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, e, naquela ocasião, decidiu-se por instituir a primeira edição deste belíssimo evento. Trata-se de uma oportunidade, a cada intervalo certo de tempo, de unir o País em torno de temas de absoluta relevância. Fico honrado em estar aqui e ter participado de debates fantásticos. Quem ganha é a sociedade brasileira”, agradeceu Dallari, que também falou um pouco sobre anistia, ditadura e respeito às diferenças. Como de praxe nas conferências da Ordem, foi publicado um documento ao final do evento com as principais propostas e discussões, a Carta de Belém, lida pelo presidente da OAB-PA e anfitrião do evento, Jarbas Vasconcelos. Confira: VI CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS DA OAB: A EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS DA IGUALDADE Nós, participantes da VI Conferência Internacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB, reunidos em Belém do Pará, de 27 a 29 de abril de 2015, reconhecendo a Ordem dos Advogados do Brasil como protagonista da história, tendo como marco a sua luta pela redemocratização do país e a defesa intransigente das garantias constitucionais, com ênfase na efetivação dos direitos à igualdade, com justiça social, manifestamo-nos contra a investida conservadora que tenta fragilizar as conquistas da cidadania, fundadas na Constituição de 1988, propomos as seguintes ações: – Implementar audiências de custódia visando garantir a rápida apresentação dos presos a um juiz nos casos de prisão em flagrante. – Promover a implantação de centrais integradas de alternativas penais, centrais de monitoração eletrônica e serviços correlatos com enfoque restaurativo e social. – Deflagrar uma campanha nacional para que o Brasil ratifique a Convenção Interamericana contra o racismo, a discriminação racial e intolerâncias conexas. – Defender a titulação e o respeito à memória histórica das populações quilombolas. – Efetivar cotas representativas para as mulheres advogadas nos órgãos que integram a Ordem dos Advogados do Brasil. – Defender a efetivação das cotas de mulheres na representação do Poder Legislativo, nas esferas municipal, estadual e federal. – Apoiar os trabalhos da Comissão Nacional e das Comissões Estaduais da Verdade sobre a escravidão negra no Brasil, vinculadas ao CFOAB e às Seccionais da OAB. – Lutar contra a PEC 215, que altera a competência na demarcação de terras indígenas do Executivo para o Legislativo. – Incentivar a organização de Comissões da Verdade sobre a escravidão e genocídio indígenas no Brasil. – Pugnar pela aprovação dos Projetos de Leis que criminalizam a homofobia e reconhecem a identidade trans. – Propor e apoiar políticas de inclusão e a acessibilidade, bem como efetivá-las no âmbito da OAB. – Apoiar a aprovação no legislativo federal do Estatuto da Pessoa com Deficiência. – Recomendar ao CFOAB a criação de uma Comissão Especial para avaliar a implantação da Política Nacional de Recursos Hídricos e da Política Nacional de Saneamento Básico.  – Reconhecer os direitos humanos como estratégia de luta e como instrumento de integração dos povos latino-americanos. – Apoiar os protocolos de consulta elaborados por povos indígenas. – Promover estratégias de punição dos agentes por violações aos direitos humanos, bem como lutar pela reparação às vítimas dos grandes projetos da Amazônia. – Pugnar por uma Política Nacional dos Direitos das Populações Atingidas por Barragens. – Lutar pela aprovação da PEC que criminaliza o trabalho escravo em nosso país. – Reconhecer a legitimidade das instâncias que compõem o sistema regional de proteção aos direitos humanos. – Capacitar, por meio da ENA e das ESAs, advogados para utilizar os mecanismos protetivos internacionais, primando pela aplicação do princípio de prevalência da norma mais protetiva aos direitos humanos. – Lutar contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição, PEC 171/1993, que pretende diminuir de 18 para 16 a idade mínima para a imputação de penas, e outras similares. – Implementar  as diretrizes do ECA para promover a proteção integral da criança e do adolescente, e o respeito do princípio constitucional da prioridade absoluta. – Ampliar os debates sobre a Política de Drogas no Brasil, que tem se mostrado ineficiente, na medida em que perpetua as desigualdades sociais e potencializa a violência. – Pugnar pela instituição da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano, considerando as especificidades regionais. – Defender que o CNJ inclua entre as metas do Poder Judiciário o julgamento dos crimes do campo. – Repudiar a alteração do artigo 149 do Código Penal proposta pela bancada ruralista.   – Denunciar e combater a grilagem e lutar para a efetivação do Cadastro Ambiental Rural de todos os povos e comunidades tradicionais. – Lutar para que o direito à saúde seja efetivado, respeitando-se a condição humana e as especificidades dos grupos sociais, nos respectivos contextos regionais, especialmente na Amazônia brasileira.    – Pugnar pelo desmembramento da Relatoria Especial para Independência de Juízes e Advogados do Conselho de Direitos Humanos da ONU, visando atender as especificidades da violência contra advogados. – Lutar pelo reconhecimento de que os crimes contra advogados atentam diretamente contra Direitos Humanos. – Fortalecer a assistência jurídica aos defensores de Direitos Humanos e apoia-los nos ataques advindos de setores da mídia. – Pugnar pelo direito à manifestação, repudiando tentativas de criminalização dos movimentos sociais. – Lutar pela efetivação das recomendações da Comissão Nacional da Verdade. – Demandar dos Poderes constituídos o aprimoramento da Politica de Combate e enfrentamento à exploração sexual infantil e ao tráfico de pessoas. – Lutar para que os acusados de tortura durante o Regime Militar, inaugurado em 1964, sejam julgados.  – Reconhecer que a Lei de Anistia brasileira não se sustenta no contexto do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. – Lutar pela aprovação da proposta de reforma politica do CFOAB, pugnando pelo fim do investimento empresarial em candidatos e partidos, a regulamentação da Lei Anticorrupção, a criminalização do caixa 2 eleitoral, a aplicação da Lei da Ficha Limpa para todos os cargos públicos, o cumprimento da Lei de Transparência e a redução drástica dos cargos de livre nomeação. O respeito aos Direitos Humanos, reconhecidos nacional e internacionalmente, é elemento básico para a legitimação dos governos. O progresso do Brasil depende não só do desenvolvimento econômico, mas também da plena observância dos Direitos Humanos, sem os quais a nação não alcançará seu destino de promover liberdade, igualdade e fraternidade.

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