Lamachia recebe ministro da Defesa para reunião sobre segurança em presídiosData da Publicação: 6 de outubro de 2017 às 18h57
Brasília – O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia,
recebeu na tarde desta sexta-feira (6), o ministro da Defesa, Raul Jungmann. O
ministro pediu a reunião com o objetivo de discutir a questão do monitoramento
das conversas de presos com visitantes, inclusive advogados, e de buscar ajuda
da Ordem para combater a ação de chefes do crime organizado que dão ordens de
dentro de presídios. Lamachia destacou ao final do encontro que a quebra do
sigilo da conversa entre advogados e clientes fere princípios constitucionais.
“O ministro nos trouxe aqui algumas preocupações sobre os
problemas que ele tem encontrado no âmbito do sistema penitenciário, algo que
preocupa a OAB também. A criminalidade no Brasil tem crescido muito. Sabemos
que as facções criminosas comandam de dentro dos presídios. Na visão da OAB,
entretanto, isso não se dá por força da comunicação do advogado com o cliente”,
disse Lamachia. “Hoje no sistema federal já há o monitoramento das conversas de
advogados e clientes, o que é ilegal, inclusive e a OAB já foi ao STF contra
tal prática. Essa é uma demonstração clara, cabal e definitiva, de que não é
por ali que acontece o crime, uma vez que essa medida não tem resolvido o
problema”, afirmou o presidente da OAB.
Lamachia declarou ao final do encontro que a Ordem não será
tolerante com profissionais que decidam abandonar a advocacia para praticar
crimes. “ Se detectarmos algum advogado que esteja se afastando da profissão e
exercendo atos criminosos, a OAB será a primeira que no âmbito interno, no seu
poder de fiscalização e disciplina, afastará esses advogados da nossa
instituição. A OAB e a advocacia brasileira não querem profissionais que sejam
criminosos. A advocacia exerce um papel fundamental na democracia”, destacou
ele.
Ao deixar a reunião, o ministro elogiou a oportunidade de
debater o tema com a Ordem. “Fica claro que existe um problema, mas que não é
com a OAB, é um problema com certos advogados que são criminosos. O problema
não é apenas o criminoso. Temos também os familiares, aqueles que visitam, as
visitas íntimas que também permitem a comunicação. Trouxe esse problema e pedi
apoio para a OAB para nos ajudar a resolver essa questão. Fomos muito bem
recebidos pelo presidente Lamachia que inclusive nos fez ver de um lado as
limitações legais e de outro as boas ideias que ele tem a esse respeito”, disse
Jungmann.
O ministro falou na construção de uma parceria com a OAB em
busca de uma solução para o problema do crime organizado nos presídios. “O que
buscamos aqui é uma parceria contra o crime e tenho certeza que a OAB, que é
uma entidade da maior importância que temos na sociedade, tem compreensão para
esse problema. Embora tenha limites, acredito que com esta parceria vamos
combater o crime organizado”, declarou Jungmann. “Trouxe aqui um problema e
tenho certeza que posso contar com alternativas e sugestões, inclusive àquilo
que eu proponho, por parte da OAB”, acrescentou o ministro da Defesa.





